Pão Araribóia reúne 50 anos de história e tradição na mesa de famílias em Boa Vista
Pão Araribóia - Foto: Semuc

Presente no cotidiano dos moradores de Boa Vista há cinco décadas, o Pão Araribóia consolidou-se como um dos símbolos gastronômicos e afetivos da capital. O alimento, produzido artesanalmente no bairro São Vicente, recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do município em janeiro deste ano como forma de resguardar o modo de preparo e o legado do saber-fazer local.

A produção teve início a partir do trabalho do padeiro Araribóia Castelo, que começou na profissão aos 16 anos. Na década de 1970, o profissional adquiriu o prédio no bairro São Vicente para centralizar as vendas e atender o público da região. 

Eu era menino quando comecei a trabalhar na padaria. No início, eu abria o forno que assava os pães. Depois, o padeiro foi embora e eu fui fazer pão porque já tinha aprendido. Continuei trabalhando em muitos lugares e não parei mais. Na década de 70, eu consegui comprar esse prédio aqui. Assava pão de madrugada para entregar de manhã cedo nas casas dos clientes”, disse Araribóia.

Araribóia Castelo – Foto: Semuc

Atualmente, a gestão do estabelecimento familiar está sob responsabilidade das filhas e de parentes do fundador. O grupo mantém o processo tradicional de fermentação e assamento, herdado da primeira geração.

“Fomos criados com ele e minha mãe trabalhando muito aqui na padaria. A gente acordava de manhã e já tinha cliente na porta de casa. Eu morava em Manaus quando voltou para assumir as responsabilidades da padaria, pois ele já não estava mais dando conta por causa da idade. É uma função desafiadora, mas conto com o apoio da nossa família e o carinho dos clientes. Meu pai é muito querido”, destacou Ana Rita Menezes, de 57 anos.

A permanência da receita ao longo dos anos atrai clientes antigos que mudaram de endereço na capital. É o caso do autônomo Aldecival de Souza, que frequentava o espaço quando morava ao lado e atualmente se desloca do bairro Cauamé para adquirir o produto.

Antes, a minha casa ficava aqui do lado da padaria. Então, todos os dias eu vinha comprar pão caseiro logo cedo. Hoje, moro no bairro Cauamé, um pouco mais longe, e continuo garantindo o meu pão. Por mais que os anos tenham passado, eles continuam com o processo natural, preservando a qualidade de sempre. Para mim, o pão tem gosto de infância“, contou.

A inclusão do pão caseiro no registro imaterial do município visa proteger o saber-fazer artesanal diante das transformações do mercado.

“O principal efeito do reconhecimento oficial é a questão do valor cultural do Pão Araribóia, porque ele é bem tradicional aqui na cidade. Isso ajuda a preservar a tradição e o modo de fazer o pão. Dá visibilidade para o produto, para aquele espaço que é muito tradicional. Essa visibilidade é o produto e ele reforça a importância da nossa identidade cultural em Boa Vista”, apontou a coordenadora do Patrimônio Cultural de Boa Vista, Carolina Albuquerque.

ReportagemRedação

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