Policiais em trajes táticos no quintal de uma residência durante o cumprimento de mandados da operação que investiga o roubo de R$ 23 milhões em ouro.
Foto: PCRR

A Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil de Roraima (PCRR) prenderam preventivamente nesta quarta-feira (26) um delegado e um investigador do Amazonas suspeitos de roubar cerca de 30 quilos de ouro e dinheiro. O material é avaliado em mais de R$ 23 milhões. Os policiais teriam simulado uma operação oficial para realizar a falsa apreensão dos bens em Roraima.

Os alvos desta segunda fase da investigação são o delegado J.A.C.C., de 29 anos, e o investigador D.G.R.A., de 37. As prisões ocorreram no Amazonas e contaram com o apoio do Ministério Público de Roraima (MPRR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 12 milhões em bens e valores dos investigados.

De acordo com o titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Hugo Cardias, a investigação começou em março a partir de uma denúncia feita à Corregedoria-Geral de Polícia (Corregepol). Os agentes descobriram que o grupo utilizou uma viatura descaracterizada da PCRR, conduzida pelo oficial investigador roraimense M. H. A. S., de 51 anos.

A dinâmica do crime aponta que I. L. B. G., de 33 anos, agiu como o mentor intelectual. Ao tomar conhecimento da negociação do minério, ele acionou o primo, o delegado amazonense J.A.C.C. O delegado, por sua vez, envolveu o investigador D.G.R.A., e ambos viajaram a Boa Vista, onde se articularam com o policial roraimense.

Durante a execução do crime, M. H. A. S. e D.G.R.A. entraram no imóvel para efetuar a falsa apreensão de ouro e dinheiro, enquanto J.A.C.C. dava suporte do lado de fora. O material subtraído nunca chegou a nenhuma unidade policial.

A polícia descobriu ainda que o investigador roraimense M. H. A. S. tem ligação com outro crime semelhante. Em janeiro deste ano, no município de Alto Alegre, ele simulou uma apreensão de ouro de um garimpeiro. A Corregedoria-Geral instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra o servidor.

Ao todo, oito pessoas participaram da organização criminosa. Além dos dois policiais presos nesta quarta-feira, outros quatro integrantes foram detidos na primeira fase da operação, no dia 21 de agosto: o mentor I. L. B. G. foi capturado em Florianópolis (SC), enquanto o investigador roraimense M. H. A. S., sua cunhada R. C. P. (41) e o comparsa G. S. S. (35) foram presos em Roraima. A esposa do investigador local, A. C. P. (38), cumpre medidas cautelares. Um oitavo suspeito ainda não foi localizado.

“A investigação começou com a Corregepol e, diante da complexidade dos fatos, passou a contar com o apoio da Draco. A partir da identificação do veículo utilizado na ação, conseguimos avançar na apuração, identificar as autorias, o modo de atuação do grupo e chegar aos envolvidos em Roraima, Santa Catarina e Amazonas”, explicou Hugo Cardias.

Com as diligências encerradas, o inquérito policial entra agora na fase de finalização para ser encaminhado à Justiça. “Conseguimos reunir elementos de prova robustos, identificar oito pessoas que participaram do crime e obter judicialmente o bloqueio de aproximadamente R$ 12 milhões. Hoje concluímos as diligências de investigação e avançamos para a etapa de finalização do inquérito”, destacou o delegado da Draco.

Sobre a participação de agentes de segurança, o delegado ressaltou que não haverá impunidade. “A investigação mostra que ninguém está acima da lei. Independentemente de quem seja o envolvido, havendo elementos de prática criminosa, a Polícia Civil vai investigar e adotar as medidas necessárias para responsabilização dos envolvidos”, afirmou.

FonteAscom PCRR
ReportagemRedação

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