O Curso de Jornalismo e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Roraima (PPGCOM/UFRR), em parceria com a Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), lançam nesta quinta-feira, 20, em Boa Vista, o Poranga Marandúa: Manual de Redação do Jornalismo Indígena.
O evento será realizado às 18h30, no Auditório do PPGSOF, no campus Paricarana da UFRR. A atividade é voltada a jornalistas, estudantes, pesquisadores, comunicadores e demais interessados na discussão sobre a cobertura jornalística relacionada aos povos indígenas.
O nome Poranga Marandúa significa “boa notícia” em Nheengatu, língua da família Tupi-Guarani. A publicação apresenta orientações para a produção de conteúdos jornalísticos sobre povos indígenas, abordando temas como territórios, identidades, direitos e formas próprias de comunicação e produção de memória.
O manual também defende a ampliação da autoria indígena no jornalismo, para que os próprios povos tenham mais espaço para contar suas experiências, perspectivas e realidades.
Manual propõe mudança na forma de narrar
A jornalista Adriã Galvão, do povo Baré, mestra em Comunicação e egressa da UFRR, integra a Coordenação de Iniciativas e Projetos da Abrinjor. Segundo ela, o manual foi elaborado para servir de referência não apenas para jornalistas indígenas, mas também para universidades, redações e instituições que produzem conteúdos sobre povos indígenas.
“Ele é mais do que um manual. É um documento que deve se tornar referência nas universidades, nas redações e nas repartições públicas e privadas que trabalham com comunicação, especialmente para quem atua diretamente com os povos indígenas. Não dá mais para errar. Estamos apresentando orientações para que esse trabalho seja realizado de maneira ética e respeitosa”, afirma.
A professora e pesquisadora da UFRR Lisiane Aguiar também destaca que a publicação questiona quem produz as narrativas e quem tem espaço para falar sobre os próprios povos.
“O Poranga Marandúa nos convida a deslocar o lugar de onde olhamos e, sobretudo, de onde falamos. Mais do que um manual de redação, ele provoca uma transformação no próprio gesto de narrar: quem fala, quem é ouvido, quem nomeia e quem tem o direito de produzir sua própria memória”, afirma.
Lançamento ocorre em Roraima
A realização do lançamento em Roraima também coloca em discussão a representação dos povos indígenas no jornalismo em um estado marcado pela diversidade desses povos.
Para o coordenador do Curso de Jornalismo da UFRR, Felipe Collar Berni, o lançamento pode contribuir para a formação de novos profissionais.
“Enquanto universidade, esse lançamento também nos convida a repensar o próprio ensino do jornalismo. É uma oportunidade de qualificar a formação dos futuros profissionais para o exercício de um jornalismo capaz de compreender e apresentar as nuances dos povos indígenas de maneira ética, respeitosa e em diálogo com suas perspectivas e realidades”, afirma.
Criada no fim de 2023, a Abrinjor reúne jornalistas indígenas e estudantes de Jornalismo de diferentes regiões do país. A entidade surgiu a partir da necessidade de ampliar a articulação entre comunicadores indígenas e enfrentar situações de racismo e outras formas de violência vivenciadas em universidades, redações e espaços profissionais da comunicação.










