Arthur Henrique (PL) foi alvo de acusações por parte de Soldado Sampaio (Republicanos) e Farah Mesquita (SD) durante o debate entre candidatos ao Governo de Roraima promovido pela Rede Amazônica nesta terça-feira (29). Os ataques envolveram informações falsas como indicadores de gestão, ideologias políticas e sobre a influência de apoiadores em uma eventual gestão.
Em diferentes momentos, Arthur respondeu defendendo resultados da administração municipal e propondo ampliar programas para o interior. Saúde, educação, desenvolvimento econômico, meio ambiente e atendimento às comunidades indígenas estiveram entre os assuntos discutidos.
Rosi Aires (Psol) apresentou questionamentos sobre mudanças climáticas e violência contra a mulher, além de defender investimentos na educação indígena.
Saúde coloca Arthur e Sampaio em confronto
Arthur defendeu fortalecer o atendimento nos municípios do interior para reduzir o deslocamento de pacientes e a sobrecarga dos hospitais da capital. Segundo ele, a falta de estrutura para exames e procedimentos obriga moradores a viajar longas distâncias em busca de assistência.
Ao perguntar a Sampaio sobre a ampliação do Bem Te Vi para as escolas estaduais, Arthur apresentou o programa municipal de exames oftalmológicos e entrega gratuita de óculos. Afirmou que 54 mil estudantes foram avaliados em Boa Vista e que mais de 5 mil tiveram problemas identificados.
Sampaio concentrou a resposta no balanço do governo interino. Disse ter encontrado filas por consultas, falta de leitos e hospitais fechados, responsabilizando a administração estadual anterior, que apoia Arthur. Citou cirurgias, atendimentos especializados, aquisição de UTIs e recuperação de unidades.
Arthur rebateu a justificativa do pouco tempo no Executivo e questionou por que Sampaio só teria constatado os problemas após assumir o governo, apesar de sua trajetória na Assembleia Legislativa. Também contestou a repetição da referência a “pouco mais de 100 dias” de gestão.
UPA e Hospital da Criança entram na disputa
Sampaio criticou Arthur pela ausência de uma UPA em Boa Vista e questionou sua promessa de trabalhar dentro do HGR.
Arthur respondeu que os recursos para a UPA foram destinados em dezembro de 2024, que o projeto aguarda aprovação ministerial e que a unidade será entregue pelo sucessor na prefeitura, Marcelo Zeitoune, até o fim de 2028.
Na defesa do Hospital da Criança Santo Antônio, relatou que suas filhas utilizam a unidade e que uma delas recebeu acompanhamento escolar durante uma internação. Rejeitou propostas de transferência da administração do hospital para o Estado e cobrou maior assistência às crianças no interior.
O candidato reafirmou que pretende acompanhar pessoalmente o atendimento no HGR e em outras unidades estaduais enquanto houver pacientes sofrendo com a falta de assistência.
Sampaio ataca legado municipal
Uma rodada sobre esporte terminou em críticas à administração de Arthur. O ex-prefeito propôs construir e reformar praças e complexos esportivos no interior, ampliar quadras nas escolas e apoiar escolinhas e federações.
Sampaio defendeu o esporte como ferramenta de formação dos jovens, citou os jogos escolares e prometeu competições indígenas e intermunicipais. Na tréplica, porém, passou a atribuir à ex-prefeita Teresa Surita (MDB) as principais estruturas esportivas de Boa Vista e acusou Arthur de se apropriar desse legado.
Também alegou problemas nas UBS, falta de medicamentos e deterioração da cidade. Ao atacar a saída de Arthur da prefeitura, chamou seu sucessor de “estranho” e “alienígena”. Arthur não teve nova oportunidade de resposta naquela rodada.
Na educação, os dois divergiram sobre a posição de Boa Vista no ranking nacional. Sampaio afirmou que a capital caiu do quinto para o 11º lugar. Arthur negou a colocação anterior e declarou que o município alcançou sua maior nota no Ideb.
Farah e Sampaio atacam Arthur em rodada entre eles
Arthur também foi alvo de acusações em uma troca de perguntas entre Farah e Sampaio. Farah questionou a condução da previdência municipal e acusou o ex-prefeito de perseguição em uma disputa fundiária. Acusou Arthur de ter mandado prender um pastor e disse que uma pessoa morreu sem atendimento em frente a uma unidade de saúde da prefeitura, sem provar o episódio.
Sampaio acrescentou alegações sobre recursos previdenciários, contratos de pavimentação e aquisição de um terreno. Em outra rodada, associou integrantes do grupo político de Arthur a supostas irregularidades na saúde e na ocupação de terras.
As acusações foram apresentadas pelos adversários e não foram comprovadas nos trechos acompanhados.
Arthur rebate acusação em direito de resposta
Em direito de resposta a Farah, Arthur rejeitou a acusação de que teria mandado prender um pastor quando era prefeito de Boa Vista. Afirmou que um prefeito não tem autoridade para determinar prisões e que a condição de pastor não impede a responsabilização por crimes.
Arthur também declarou que Farah foi acusado pelo Ministério Público e condenado pela Justiça por venda ilegal de imóveis, com determinação de restituição financeira aos prejudicados. A afirmação sobre a condenação precisa ser conferida na decisão judicial.
Arthur acusou dois adversários de terem participado de um “jogo combinado” para atacá-lo.
Terras indígenas e mineração provocam divergências
Farah cobrou uma posição de Arthur sobre ampliações de terras indígenas e voltou a associá-lo à esquerda por sua participação em evento com Lula.
Arthur contestou os números apresentados e defendeu que o respeito aos povos indígenas seja conciliado com oportunidades de desenvolvimento. Citou ações que atribuiu à sua gestão em Boa Vista, como escolas, transporte escolar, agricultura comunitária, piscicultura e irrigação com energia solar.
Em resposta a Rosi, Arthur declarou ser contrário ao garimpo ilegal e defendeu mudanças nas leis para permitir mineração em terras indígenas, com participação do Estado e das comunidades interessadas. Reconheceu danos associados à atividade clandestina, mas não detalhou os mecanismos de fiscalização e proteção ambiental.
Sobre os efeitos climáticos, propôs planejamento permanente para estiagens e cheias, em vez de depender de medidas emergenciais.
Rosi destaca escolas indígenas e proteção às mulheres
Rosi relatou condições precárias de escolas indígenas e afirmou que algumas comunidades improvisam barracões para manter as aulas. Defendeu escolas de primeira infância e uma Universidade Federal Indígena, em parceria com o governo federal.
Sampaio anunciou concurso regionalizado, citou reformas em escolas indígenas e apresentou a Bolsa Macuxi, com R$ 200 para estudantes de baixa renda e R$ 500 pela aprovação ao final do ano. Não esclareceu a periodicidade do primeiro pagamento.
Ao perguntar a Farah sobre violência contra a mulher, Rosi cobrou políticas de proteção. Na parte da resposta acompanhada, ele concentrou críticas em Arthur e Denarium, sem detalhar medidas específicas.
Economia reúne propostas de simplificação
Arthur propôs digitalizar o licenciamento estadual, estabelecer prazos máximos e simplificar procedimentos para empreendedores. Usou o Descomplica de Boa Vista como referência e afirmou que a demora nas autorizações prejudica investimentos.
Sampaio defendeu o Código Ambiental, do qual disse ter sido relator, e citou emissão de licenças, investimentos no Distrito Industrial e articulações para comercializar a produção de Roraima em outros mercados.
O governador interino apresentou a eleição como uma “escolha entre a vida e a morte” e prometeu reduzir filas, ampliar UTIs, investir em hospitais e realizar concurso para a saúde.
Arthur finalizou a participação defendendo repressão à violência contra a mulher, condições de trabalho para policiais e educação voltada ao respeito. Depois, respondeu aos ataques contra seus aliados e afirmou que terá autonomia: “Apoio político é importante, mas quem vai governar sou eu”.
Ao pedir votos, defendeu uma mudança no modelo de administração estadual e a extensão ao interior de iniciativas desenvolvidas em Boa Vista. “É hora de capital e interior caminharem juntos”, declarou.










