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Foto: Acnur

Vanessa está há quatro anos no Brasil. Mora em Boa Vista (RR) e tem um empreendimento de arepas, um alimento tradicional feito de farinha de milho pré-cozida, água e sal, muito popular no seu país de origem, Venezuela. Elas têm formato redondo e achatado, parecido com um pãozinho ou uma panqueca grossa. Podem ser assadas, grelhadas, fritas ou cozidas, e receber recheios variados.

“É uma interculturalidade trazer a gastronomia venezuelana para o Brasil. É um intercâmbio de cultural” comenta Vanessa. As arepas têm se popularizado cada vez mais no Brasil, especialmente em Roraima, onde muitas pessoas vindas da Venezuela buscam reconstruir suas vidas após o deslocamento forçado. Nas cidades roraimenses, já é comum ver locais de comida venezuelana, ouvir músicas em espanhol e comprar produtos feitos por estas pessoas.

“O empreendedorismo tem se consolidado como uma das principais estratégias para que pessoas refugiadas possam gerar renda, buscar autonomia e estabilização socioeconômica no Brasil. Aqui em Roraima, estes estabelecimentos geram renda, arrecadação para o estado, empregam outras pessoas e já são parte da cultura local”, destaca o chefe de escritório do ACNUR em Roraima, Rafael Levy.

Para aprimorar seu negócio, Vanessa decidiu participar do Empretec, um seminário intensivo criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), presente em cerca de 40 países. São 60 horas de capacitação, com metodologia baseada em evidências e foco no desenvolvimento de comportamentos empreendedores. Contribui para a sustentabilidade e permanência dos negócios no mercado. No Brasil, é executado exclusivamente pelo Sebrae.

Boa Vista foi o segundo local do mundo a implementar uma turma do Empretec dedicada a pessoas refugiadas e migrantes, um esforço conjunto do ACNUR e do Sebrae Roraima. A primeira edição, realizada em 2024, marcou o início da parceria e contou com o apoio do Serviço Jesuítas para Migrantes e Refugiados. A terceira edição ocorreu em junho de 2026 com o apoio da Universidade Federal de Roraima.

Junto de Vanessa, foram formados outros 24 empreendedores, dentre refugiados de diferentes nacionalidades, indígenas e representantes de organizações lideradas por refugiados com atuação em empreendedorismo. Funcionários do ACNUR também participaram da formação e se tornaram “Empretecos”, como são carinhosamente chamadas as pessoas que concluem a imersão.

“Para mim foi uma experiencia incrível, daqui para frente, me considero uma pessoa nova. Consegui entender os desafios que posso ter que enfrentar e ter metas claras. O Empretec me trouxe muita clareza. Eu ganhei cinco selos de destaque no meu certificado porque pude entender muito bem quais são os comportamentos que um empreendedor precisa para ter sucesso. Quero consolidar meu negócio e posicionar para que seja sustentável.” comemora, Vanessa.

Uma rede de transformação local com impacto global

O Empretec já capacitou mais de dois milhões de pessoas em todo o mundo. A turma que se formou em Boa Vista neste ano foi conduzida pelos professores Nirval Queiroz e Giancarlo Kohler. Por meio de uma metodologia vivencial e interativa, com jogos, exercícios e debates, eles puderam passar competências fundamentais para a vida profissional dos alunos.

Colega de sala de aula de Vanessa, Josneida comentou sobre o impacto que o Empretec teve em sua vida. Apesar de ter feito muitos cursos sobre empreendedorismo, ela diz que “nunca um certificado foi tão conquistado”.

“Pela primeira vez meu trabalho aumentou e, consequentemente, minha renda triplicou. Consegui quitar todas as minhas dívidas fixas. Sei que ainda há um longo caminho a percorrer, mas já comecei. Mudei vários hábitos prejudiciais relacionados à minha forma de trabalhar”, celebra.

Um estudo realizado pela Innovare Pesquisa com integrantes da Plataforma Refugiados Empreendedores, iniciativa da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Pacto Global da ONU – Rede Brasil, mostrou que 95% das pessoas entrevistadas residem no Brasil há mais de três anos. O perfil das pessoas refugiadas que empreendem é majoritariamente feminino (71%) e a idade média das empreendedoras é de 40 anos, indicando mulheres com mais experiência e com maior tempo de inclusão no país.

Joselin, outra Empreteca, é empreendedora no ramo gastronômico, dedicada a doces e bolos. Para ela, foi muito importante participar e ela considera um sucesso ter concluído a formação. “A gente leva muita informação para aplicar no nosso negócio. Vou aplicar todo o conhecimento daqui”, planeja.

A formatura foi um momento de muita emoção. Os melhores planos de negócio foram premiados e os alunos trocaram incentivos, elogios e presentes uns com os outros. Empretecos, professores e profissionais do ACNUR e Sebrae compartilharam suas vivências, dificuldades e sonhos para o futuro.

Fiz o Empretec junto com as pessoas refugiadas. É muito bom ver o quanto estão correndo atrás, buscando aprender, progredir e usando o Empretec como meio de sair desta situação. É maravilhoso e gratificante ver o tanto que eles se empolgam, o tanto que aprenderam e como conseguimos trabalhar juntos aqui dentro” conta George Messias da Silva, profissional de TI do ACNUR.

FonteAscom ACNUR

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