Quando Marcelo Zeitoune (PL) assumiu a Prefeitura de Boa Vista após a saída de Arthur Henrique para disputar o Governo de Roraima, uma comparação surgiu quase imediatamente nos bastidores políticos, e, cuidadosamente plantada nas redes sociais. Haveria o risco de a capital repetir a experiência vivida após a saída de Teresa Surita em 2006, quando Iradilson Sampaio assumiu o comando do município e a cidade passou por um período de descontinuidade administrativa que muitos boa-vistenses ainda lembram com críticas e nenhuma saudade.
A preocupação não era sem fundamento. Boa Vista construiu, ao longo de décadas, uma cultura política que valoriza planejamento, obras permanentes e manutenção dos serviços públicos. Quando essa engrenagem falha, a população percebe rapidamente. Foi exatamente isso que ocorreu no passado, quando projetos foram interrompidos, obras perderam ritmo e a cidade deixou de apresentar o padrão de organização que a diferenciava.
Passados os primeiros meses de gestão, Marcelo Zeitoune demonstrou que o roteiro seria outro.
O novo prefeito assumiu com a difícil missão de manter uma máquina pública em funcionamento, preservar o legado recebido e, ao mesmo tempo, construir sua própria identidade administrativa. Até aqui, os sinais apontam para uma gestão de continuidade, e não de ruptura.
As obras não pararam. Em pleno período chuvoso, a Prefeitura intensificou ações de drenagem, ampliou intervenções para redução de pontos de alagamento e colocou equipes nas ruas para executar operações tapa-buracos em uma época do ano tradicionalmente desafiadora para a infraestrutura urbana. São medidas que talvez não rendam manchetes nacionais, mas fazem diferença concreta na vida de quem enfrenta diariamente as ruas da cidade.
Na saúde, a postura também foi de acompanhamento permanente. O monitoramento das unidades básicas, das UBSs com atendimento noturno e das obras do Hospital da Criança sinaliza preocupação com a manutenção dos serviços e com a entrega dos compromissos assumidos pela administração municipal.
Mas foi no Boa Vista Junina que a capacidade de gestão ficou mais evidente para a população. O maior arraial da Amazônia reuniu milhares de pessoas, recebeu atrações nacionais, movimentou a economia local e transcorreu com organização, segurança e estrutura. O evento funcionou como uma grande vitrine administrativa. E a avaliação predominante entre os participantes foi a de que a festa manteve o padrão de excelência construído ao longo dos anos.
É cedo para julgamentos definitivos sobre qualquer gestão. A cidade ainda enfrenta desafios importantes, especialmente em mobilidade, saúde e infraestrutura. Mas uma conclusão já pode ser tirada: Marcelo Zeitoune não confirmou os prognósticos pessimistas que surgiram quando assumiu a prefeitura.
Ao contrário. Mostrou que compreendeu a principal expectativa da população de Boa Vista. Mais do que promover mudanças abruptas, os moradores querem que aquilo que funciona continue funcionando.
Até aqui, a palavra que melhor define sua administração é continuidade. E, para uma cidade que já experimentou os custos do abandono administrativo, isso está longe de ser um detalhe.














