A Polícia Civil de Roraima deflagrou, na manhã desta segunda-feira (27), a Operação Mantus, que resultou no cumprimento de oito mandados de prisão preventiva contra influenciadores digitais investigados por divulgar jogos de azar ilegais nas redes sociais, conhecidos como “jogo do tigrinho”. Segundo a investigação, o grupo movimentou aproximadamente R$ 260 milhões em dois anos.
Além das prisões, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão. A Justiça determinou ainda o bloqueio de valores e o sequestro de bens que podem chegar a R$ 68 milhões. Durante diligência no bairro Caçari, um empresário foi preso em flagrante por posse de munição.
Segundo o delegado Eduardo Patrício, a investigação teve duração de cerca de 18 meses e apontou a existência de um esquema estruturado, com forte atuação nas redes sociais. “As investigações demonstraram que havia uma atuação organizada, com uso estratégico das redes sociais para alcançar um grande número de vítimas. Trata-se de uma prática criminosa com elevado potencial de dano coletivo”, destacou.
De acordo com ele, os investigados utilizavam a visibilidade digital para atrair seguidores com promessas enganosas de ganhos fáceis. A apuração também identificou uma movimentação financeira considerada incompatível com a renda declarada. “Identificamos um crescimento patrimonial expressivo, com aquisição de veículos de luxo, imóveis e bens de alto padrão, o que reforça os indícios de lavagem de dinheiro”, afirmou.
Entre os alvos com mandados de prisão preventiva estão a influencer A.V.A.J., de 29 anos, o marido dela, D.S.S., de 37 anos, a influencer A.L.F., de 28 anos, o influencer de Goiás G.S.S.C., de 25 anos, a influencer L.R.G.S., de 31 anos, o influencer P.A.S.R., de 27 anos, a comunicadora Raniely Carvalho, de 39 anos, e a influencer V.R.S., de 26 anos.
Outros investigados também foram alvo de medidas judiciais, como mandados de busca e apreensão. Trata-se da esteticista J.L.N., de 23 anos, a influencer V.P.B., de 26 anos, e o empresário do ramo automobilístico R.F.B.R., de 28 anos.
As equipes policiais atuaram simultaneamente em diversos bairros de Boa Vista, como Cidade Satélite, Caranã, Cambará, Aparecida, Buritis, Centro, Caçari, Jardim Floresta e Jardim Primavera. Foram apreendidos celulares, notebooks, documentos, veículos e itens de alto valor.
Os mandados foram expedidos pela Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro, com manifestação favorável do Ministério Público. Os presos permanecem à disposição da Justiça e devem passar por audiência de custódia nesta terça-feira, 28.
Segundo o delegado, esta é a primeira fase da operação. “A partir da análise do material apreendido, poderemos avançar na identificação de outros envolvidos, inclusive possíveis financiadores e estruturas de apoio ao esquema”, explicou.
Entenda os valores
Os R$ 260 milhões citados pela Polícia Civil correspondem ao total de dinheiro que circulou pelo esquema ao longo de cerca de dois anos. Esse número representa a movimentação financeira identificada nas contas ligadas aos investigados, incluindo entradas e saídas de recursos, e não necessariamente lucro.
Já os até R$ 68 milhões referem-se ao valor que a Justiça determinou bloquear e sequestrar durante a operação. Esse montante inclui dinheiro em contas bancárias, aplicações financeiras e bens como veículos e imóveis. A medida tem caráter cautelar, para impedir a movimentação dos recursos e garantir eventual reparação de danos ou cumprimento de decisões judiciais.
Defesa se manifesta
A defesa da jornalista Raniely Carvalho informou, em nota, que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação, que tramitam sob sigilo. Os advogados afirmam que ela nega qualquer envolvimento com práticas de lavagem de dinheiro, golpes financeiros ou estelionato. A nota diz ainda que a investigada está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e reforça o princípio da presunção de inocência, destacando que conclusões antecipadas podem causar prejuízos à sua imagem.










