A eleição suplementar de Roraima entrou em uma fase perigosa. Não pela disputa de ideias, nem pelo confronto de projetos. Mas pela tentativa de substituir o debate político por boatos, vídeos gerados por Inteligência Artificial (I.A.) e desinformação.
Nos últimos dias, multiplicaram-se mensagens, montagens e conteúdos produzidos com inteligência artificial afirmando que Arthur Henrique (PL) está fora da eleição. A intenção é clara, criar no eleitor a sensação de que a disputa acabou antes mesmo de o processo judicial ser concluído.
Mas a realidade é mais simples do que os produtores de boatos gostariam. O caso continua sendo discutido na Justiça. Existem decisões desfavoráveis ao candidato, é verdade. Porém também existem recursos, manifestações judiciais pendentes e uma discussão jurídica que ainda não chegou ao seu capítulo final. Não cabe a grupos políticos, militantes digitais ou fabricantes de vídeos falsos decretarem o resultado de um processo que ainda tramita nos tribunais.
O mais curioso é que aqueles que dizem defender a democracia parecem sentir enorme desconforto quando se deparam com a possibilidade de enfrentar o julgamento das urnas. Em vez de convencer eleitores, preferem tentar confundi-los. Em vez de apresentar propostas, apostam na dúvida. Em vez de disputar votos, tentam eliminar adversários na narrativa.
Roraima merece mais do que isso. A democracia não é feita de correntes de WhatsApp. Não é feita de vídeos produzidos por I.A. Não é feita de manchetes recortadas para enganar quem não teve acesso à informação completa. Democracia é o direito de o eleitor conhecer os fatos e decidir por si mesmo.
Quem acredita ter o melhor projeto para o estado não precisa espalhar boatos. Quem confia na própria candidatura não precisa torcer para que o adversário desapareça por decreto das redes sociais.
A população de Roraima já demonstrou maturidade suficiente para distinguir informação de propaganda e notícia de torcida organizada. O eleitor sabe que processos judiciais são decididos nos tribunais, não em grupos de mensagens.
Até que haja uma decisão definitiva, o que existe é uma disputa em andamento. E numa democracia saudável, cabe ao povo (e não aos disseminadores de desinformação) a palavra final sobre quem merece governar.
Quem confia nas urnas disputa votos. Quem não confia nelas tenta disputar versões.










