Confiar em Mecias de Jesus e migrar para o Republicanos foi, ao que tudo indica, um dos movimentos mais arriscados de Antonio Denarium no xadrez político recente de Roraima. Não por falta de aviso, mas por subestimar a natureza de uma relação que sempre foi mais tática do que propriamente leal.
A promessa de que Denarium teria controle real sobre o partido soava conveniente no discurso, mas pouco sustentável na prática. Mecias nunca foi um ator secundário. Mesmo fora do mandato eletivo, hoje como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Roraima, mantém influência, articulação e, principalmente, capacidade de leitura política. Não é o tipo de liderança que cede protagonismo sem contrapartida, muito menos poder.
O erro de Denarium não foi apenas confiar. Foi acreditar que ainda operava com a mesma força política de antes. O cenário mudou. As sucessivas decisões judiciais e o avanço do processo que pode torná-lo inelegível reduziram seu peso nas negociações. Nesse caso, fragilidade não atrai lealdade. E é exatamente isso que se vê agora. Com altas chances de ficar fora da disputa, Denarium tende a sair do centro do debate eleitoral. Não por escolha estratégica, mas por imposição do contexto. Ainda assim, isso não significa neutralidade.
A tendência é que ele não embarque na candidatura de Soldado Sampaio ao governo. O movimento mais provável é outro: apoiar Edilson Damião, do União Brasil. E, no caso de inviabilidade jurídica de Damião, o plano alternativo aponta para Arthur Henrique (PL) como candidato ao governo, ao invés de Senado. Se o projeto fosse outro, já teria sido formalizado.
Nesse contexto, não há, portanto, nenhuma garantia de que Gerlane Baccarin será, de fato, vice. A própria existência da chapa com Damião ainda depende de variáveis jurídicas e políticas. E, caso Arthur assuma a cabeça de chapa pelo PL, é pouco provável uma composição “sangue puro” dentro do mesmo partido. Em eleições majoritárias, isolamento não é estratégia, é risco iminente.
No fim, o que se consolida não é um alinhamento por convicção, mas por sobrevivência. Denarium não escolhe mais o tabuleiro, ele tenta permanecer nele. E, do jeito que o cenário se organizou, já está claro para onde deve apontar: não por afinidade, mas porque é onde ainda existe alguma confiança possível para continuar jogando junto.










