Foto: Ascom/ UERR

O Conselho Universitário (Conuni) da Universidade Estadual de Roraima (UERR) deve votar nesta sexta-feira (12) o novo Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR), que projeta R$ 161,2 milhões em gastos com cargos comissionados entre 2027 e 2036, enquanto integrantes da comunidade acadêmica cobram investimentos em áreas como assistência estudantil, infraestrutura, ensino, pesquisa e extensão.

A proposta altera regras de progressão funcional, licenças, afastamentos, remuneração e a estrutura dos cargos de direção, chefia e assessoramento da universidade.

Entre os dispositivos previstos está a manutenção da possibilidade de ocupação de cargos comissionados por pessoas sem vínculo efetivo com a instituição, desde que pelo menos 50% das vagas sejam ocupadas por servidores efetivos da UERR. Também estão previstas mudanças nas regras de remuneração de servidores efetivos nomeados para cargos comissionados.

O estudo de impacto financeiro que acompanha o PCCR estima que os gastos com cargos comissionados representarão cerca de 15,36% do orçamento anual atualmente disponível para a universidade. Ao final da projeção, o custo acumulado previsto alcança R$ 161.291.402.

Projeção dos gastos com cargos comissionados

Segundo o estudo elaborado para o plano, a previsão de despesas é a seguinte:

  • 2027: R$ 12.823.404
  • 2028: R$ 13.464.575
  • 2029: R$ 14.137.803
  • 2030: R$ 14.844.694
  • 2031: R$ 15.586.928
  • 2032: R$ 16.366.275
  • 2033: R$ 17.184.588
  • 2034: R$ 18.043.818
  • 2035: R$ 18.946.009
  • 2036: R$ 19.893.309

Os valores projetados somam R$ 161,2 milhões ao longo dos dez anos considerados no estudo.

Comunidade acadêmica questiona prioridades

Um documento distribuído entre integrantes da comunidade acadêmica afirma que a universidade possui demandas relacionadas à assistência estudantil, aquisição de equipamentos, infraestrutura, ensino, pesquisa e extensão. O material questiona a ampliação das despesas previstas para cargos comissionados diante dessas necessidades.

Uma servidora da instituição, ouvida pela reportagem afirmou que essas demandas não têm recebido a mesma atenção dentro das discussões da universidade. “Essas demandas não são pauta do Conuni há muito tempo”, declarou.

A servidora também criticou a direção tomada pela instituição nos últimos anos. “A questão mais grave é que a universidade se desviou de sua função, que é o ensino, pesquisa e extensão, e virou um setor público voltado para fornecer cargos comissionados”, afirmou.

Segundo ela, a eventual aprovação da proposta poderá impactar a capacidade financeira da universidade. “Se aprovarem um plano com valores absurdos de cargos comissionados, faltará dinheiro para a manutenção da universidade”, disse.

O outro lado

A equipe de reportagem do Roraima 1 procurou a Universidade Estadual de Roraima para comentar a proposta que será analisada pelo Conuni, a projeção de gastos com cargos comissionados e as críticas apresentadas pela comunidade acadêmica. A Universidade informou que só irá se manifestar após a reunião do Conselho onde haverá a votação do novo PCRR.

ReportagemRedação

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