Prefeito de Boa Vista, Marcelo Zeitoune (PL).

A noite de abertura do Boa Vista Junina 2026 serviu para muito mais do que inaugurar o maior arraial da Amazônia. Foi também o primeiro grande teste político de Marcelo Zeitoune (PL) como prefeito de Boa Vista.

Enquanto milhares de pessoas circulavam pela Praça Fábio Marques Paracat, acompanhavam apresentações culturais e celebravam a estreia do Brasil na Copa do Mundo, o novo chefe do Executivo municipal caminhava entre comerciantes, conversava com populares, cumprimentava servidores da Guarda Civil Municipal e observava de perto uma estrutura que, para muitos, simboliza a capacidade de gestão da prefeitura.

Vestido com a camisa amarela da Seleção Brasileira, Zeitoune parecia confortável no papel que até poucos meses atrás poucos imaginavam vê-lo exercer. Médico por formação e figura pouco conhecida fora dos círculos políticos e administrativos da capital, ele assumiu a prefeitura após a renúncia de Arthur Henrique (PL) para disputar o Governo de Roraima.

Desde então, carrega um rótulo que os adversários fazem questão de repetir: o de “desconhecido”.

Ao ser abordado pelo Roraima1 sobre o tema, não tentou fugir da resposta nem construir uma narrativa elaborada. Preferiu concordar.

“Sou um desconhecido mesmo, na política, isso é fato”, respondeu.

A sinceridade chama atenção porque contrasta com um comportamento comum no meio político: o de negar fragilidades ou superestimar trajetórias. Marcelo optou pelo caminho inverso. Sua aposta parece estar menos na construção de uma imagem de liderança carismática e mais na defesa de uma gestão técnica e de continuidade.

“O Arthur renunciou galgando esse voo mais alto [candidatura ao governo], politicamente falando, mas me amparou com o pessoal da prefeitura. É um pessoal que já contribui com Boa Vista há muitas gestões. Eles sabem fazer”, afirmou.

Ao falar sobre o Boa Vista Junina, o prefeito evitou reivindicar protagonismo pessoal pelo evento. Preferiu dividir os méritos com a equipe.

“Para mim é um desafio manter um padrão Arthur Henrique, mas eu fico muito seguro por causa da equipe. O Dyego Monzaho, presidente da Fetec, todos os secretários, sabem o que estão fazendo.”, disse.

O arraial, aliás, era um ambiente particularmente simbólico para essa avaliação. Em Boa Vista, o evento se consolidou como uma das maiores vitrines da administração municipal. Segurança, limpeza, organização, mobilidade e logística são observadas com atenção por moradores e adversários políticos.

Na primeira noite, o evento transcorreu dentro do padrão esperado, sem registros de problemas relevantes e com a estrutura funcionando plenamente.

Sem tentar se comparar aos antecessores ou responder aos opositores em tom de confronto, resumiu sua visão de gestão em uma metáfora simples.

“Gestor é isso: bota um tijolinho, depois outro, depois outro. É uma construção.”

A frase ajuda a entender como ele pretende conduzir os próximos anos de mandato.

Sem a pretensão de reinventar uma máquina administrativa já consolidada, Marcelo Zeitoune aposta na continuidade como estratégia. E fez questão de lembrar que não está apenas ocupando um cargo temporariamente.

“Eu vou fazer o meu melhor até 31 de dezembro de 2028, que é quando acaba o meu mandato. Até lá, contem com o meu melhor.”

ReportagemRubens Medeiros

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