A Escola Municipal Vovó Tereza da Silva, na comunidade indígena Darora, em Boa Vista, desenvolve um projeto que integra robótica ao processo de alfabetização para fortalecer a língua materna Macuxi entre alunos do 1º e 2º ano do ensino fundamental. A iniciativa ocorre às vésperas do Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril.
Chamado “Codificando na Alfabetização Fortalecendo os Saberes Indígenas”, o projeto utiliza o kit de robótica Matatalab como ferramenta pedagógica. A proposta adapta comandos de programação para palavras e expressões do cotidiano indígena, permitindo que os estudantes aprendam leitura e lógica de forma integrada à própria cultura.
De acordo com o professor responsável, Miller Tavares de Almeida, o material foi ajustado para ampliar o vocabulário das crianças na língua materna. “Adaptamos o material para fortalecer o vocabulário das crianças na língua materna. Eles trabalham a leitura, associam imagens e palavras e formam frases dentro da realidade deles. Isso contribui significativamente para o desenvolvimento da alfabetização e para a valorização dos saberes indígenas”, destacou.
O conteúdo inclui nomes de animais, partes do corpo, elementos da natureza e itens do cotidiano, como arco e flecha, tipiti, farinha e beiju. Também são trabalhadas expressões comuns da rotina escolar, como pedir para beber água, ir ao banheiro e responder à chamada, sempre em Macuxi.
Outro aspecto do projeto é a personalização dos equipamentos, com a inclusão de elementos simbólicos da cultura indígena, como cocares coloridos nos robôs. A estratégia busca reforçar a identidade cultural durante o processo de aprendizagem.
Segundo o professor, o aprendizado ganha sentido ao ser aplicado no cotidiano dos alunos. “Eles usam palavras que fazem parte da rotina, tanto na escola quanto em casa. Isso fortalece a prática e faz com que levem esse conhecimento para além da sala de aula”, explicou.
O gestor da unidade, Cleidson Marques, afirmou que a proposta ajuda a equilibrar o contato com o mundo externo e a preservação cultural. “Hoje, nossas crianças têm muito contato com a tecnologia e com o mundo externo, o que pode enfraquecer a cultura. Esse projeto vem justamente para equilibrar isso, mostrando que a tecnologia também pode ser uma aliada na preservação das nossas raízes”, afirmou.
Ele também destacou que a iniciativa reforça ações já existentes na escola. “A língua materna é uma conquista importante. A escola e a comunidade trabalham juntas para fortalecer essa identidade, e projetos como esse ajudam a manter viva essa cultura nas novas gerações”, completou.
O envolvimento dos alunos é apontado como um dos principais resultados. “Eu gosto muito do Matatalab. É bem legal”, disse a aluna Rainelly Carneiro, de 6 anos. O colega Andrew Willer, também de 6 anos, relatou a experiência com as atividades. “Acho divertido. Já aprendi várias palavras”, contou.










