O governo de Edilson Damião (União Brasil) já não é mais o da semana passada, e isso começa a ficar evidente nos movimentos mais recentes. Com o tom de alívio gerado pela nova suspensão do julgamento do governador e do ex, Antonio Denarium (Republicanos), a mensagem de “Traíras nunca serão”, publicada pelo deputado Zé Haroldo (União Brasil), ao lado da comitiva de apoio ao governador, deixou explícito o recado ao grupo do ex-senador Mecias de Jesus e do presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio, apontados como líderes de um movimento para a derrubada do governador.
O distanciamento em relação ao presidente da Assembleia Legislativa, deixou de ser um ruído de bastidor e passou a ser percebido como rompimento político claro. Não há mais esforço de disfarce. O silêncio substituiu a parceria, e a ausência de alinhamento fala por si.
Nesse mesmo eixo, outro nome vai perder espaço de forma acelerada: Mecias de Jesus. Hoje, a leitura dentro do próprio governo é de que ele passou a ser problema. A tendência é clara: redução de influência, perda de espaços e enfraquecimento nas estruturas que ainda orbitam sua indicação, como a Caer e outros pontos estratégicos.
Damião, que chegou ao poder carregando heranças políticas, começa a se descolar delas. E faz isso no momento em que ganha um fôlego inesperado no campo jurídico.
Denarium, tratado como fantoche pelos dois lados, já não sabe se fez a coisa certa em deixar o PP de Dr. Hiran, que continua com espaços de poder dentro do governo e já se alinhou oficialmente ao União Brasil contra uma possível candidatura de Soldado Sampaio ao governo.
Denarium sentiu na pele muito antes do que imaginava que deixar o senador para trás com o seu Progressistas, talvez não tenha sido para ele a melhor decisão. Ao que tudo indica, vai terminar cassado, inelegível, sem a confiança de Damião e tendo que lidar com o ressentimento de Dr. Hiran.
O voto do ministro Kassio Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral, ao separar, de forma inédita, as responsabilidades de Antonio Denarium e do próprio Damião, foi uma decisão menos técnica e mais política, para os analistas especializados em Direito Eleitoral. Ao propor que o vice não seja automaticamente punido pelos atos do titular, o ministro rompe com a lógica histórica da Justiça Eleitoral e cria uma saída que preserva o atual governador no cargo.
Essa mudança não surgiu do nada. A leitura que circula é de articulação do União Brasil e do PP. O nome de Dr. Hiran aparece como peça importante nesse tabuleiro, especialmente pela proximidade política com Ciro Nogueira, conterrâneo de Nunes Marques e figura de peso na construção de pontes institucionais. É um movimento que, ao mesmo tempo, protege Damião e isola adversários internos.
Se antes o governo era resultado de um arranjo amplo, hoje ele começa a ser redesenhado com critérios mais claros: quem fica, quem sai e quem perde relevância. Nesse contexto, o enfraquecimento de Mecias deve ser a maior das consequências. Sem os espaços aos quais está habituado, Mecias e Sampaio podem poder precisar lidar com uma campanha ao governo contra a estrutura do governo.
Diferentemente de Denarium, Damião sinaliza que não pretende governar sob tutela. Em movimento que começa a sinalizar que União Brasil e PL poderão estar de mãos dadas nesta campanha, o sinal de alerta precisa ser aceso dentro do Republicanos. Com esses arranjos, soltos e malfeitos, é que o partido pode ter ajudado a construir e fortalecer os seus próximos piores inimigos.










