Um projeto desenvolvido por alunos e professores da Escola Municipal Vovó Clara, em Boa Vista, está entre os 150 melhores do país no Prêmio Nacional Liga STEAM 2026. A iniciativa “Telhado Sustentável: Transformando Garrafas PET em Proteção, Aprendizagem e Solidariedade” propõe construir uma cobertura para o parquinho da escola usando garrafas PET que seriam descartadas.
Desenvolvido pela professora Elizângela Santos Bastos, o projeto foi selecionado para a segunda fase da premiação, na Categoria 1, voltada à Educação Infantil para crianças a partir de 4 anos.
A ideia nasceu de uma situação vivida diariamente pelos próprios alunos. O parquinho da escola recebe muito sol e fica quente em determinados horários, dificultando o uso do espaço pelas crianças.
“Os alunos sempre diziam: ‘Tia, está muito quente! Eu não aguento! Vamos para a sala’. E eu sabia que o parquinho é o momento de lazer, descontração e de ser criança. Então percebemos que a necessidade era uma cobertura para aquele espaço”, explicou Elizângela.
Em vez de construir uma cobertura convencional, a professora decidiu transformar o problema em uma atividade de aprendizagem. As crianças participam da coleta e preparação das garrafas que serão usadas no projeto.
Crianças aprendem na prática
A proposta utiliza a abordagem STEAM, que reúne Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, para trabalhar sustentabilidade, reciclagem e responsabilidade ambiental de forma prática.
Nesta terça-feira (11), Dia do Estudante, os alunos participaram de atividades relacionadas ao projeto. Eles pintaram garrafas PET que serão utilizadas na construção do telhado e participaram de uma dinâmica em que precisaram identificar diferentes materiais apenas pelo tato.
Outra atividade foi realizada no pátio da escola. Os estudantes encontraram diferentes tipos de resíduos espalhados pelo espaço e precisaram identificar cada material e colocá-lo no recipiente correto.
Para Elizângela, o objetivo não é apenas construir uma cobertura para o parquinho, mas estimular mudanças de hábitos.
“A ideia é fazer com que eles compreendam a necessidade de ter um comportamento sustentável. Não adianta simplesmente pegar o lixo. Precisamos começar pela coleta seletiva, entender como distribuir e descartar corretamente. Essa postura começa na escola, mas precisa continuar em casa, e aí entra a família como colaboradora do projeto”, afirmou.
Famílias ajudam na coleta
A comunidade escolar também participa da arrecadação das garrafas PET. Pais, responsáveis e funcionários ajudam a reunir o material que será utilizado na construção.
Segundo a gestora da escola, Laiz Furman Tomé, a sustentabilidade já faz parte de outras atividades da unidade. Entre as ações anteriores está a criação de um espaço sensorial feito com tampinhas de garrafas PET, também com participação das famílias.
“É gratificante para nós, enquanto escola, evidenciar um projeto que é feito rotineiramente. A sustentabilidade é algo em que precisamos focar constantemente, porque, a partir dela, conseguimos construir um mundo melhor e mostrar às nossas crianças a importância de cuidar do que é nosso e de transformar objetos que iriam para o lixo em algo que beneficie a escola e elas próprias”, destacou.
A mobilização também envolve famílias de outras turmas. A mãe de uma aluna, Poliane Roth, levou garrafas para contribuir com a campanha.
“Eu acho importante participar, mesmo que não seja a turma da minha filha, porque é em prol da escola e vai ajudar todas as crianças. É muito importante trazer essa temática da sustentabilidade e do meio ambiente para elas, porque cada dia vão aprendendo não só em casa, mas também na escola”, contou.
Garrafas também serão usadas em ação social
O projeto ainda terá um impacto fora da escola. As garrafas arrecadadas que não forem utilizadas no telhado serão destinadas à Associação Missões de Amor, que usa o material para o envase de sabão líquido em Boa Vista.
A proposta, dessa forma, envolve estudantes, famílias e comunidade em uma mesma ação, com reaproveitamento de materiais e destinação social.
“É uma aprendizagem voltada para a sustentabilidade e para a mudança de hábitos. Não é só a questão do telhado, mas a mudança de comportamento das crianças também. E saber que essa mudança pode provocar uma mudança de comportamento é o melhor de tudo”, afirmou Elizângela.
Para os alunos, o projeto também já ganhou um significado próprio. Ayla Silva, de 6 anos, contou que gostou das atividades realizadas no Dia do Estudante. “Gostei muito das atividades hoje. Ganhei nota 10! Nosso teto vai ficar muito bonito”, disse.
Anthony Gabriel, de 6 anos, destacou a pintura das garrafas como sua atividade preferida. “O que eu mais gostei de fazer foi pintar as garrafas”, contou.
Já Gael Matos, de 5 anos, relacionou o projeto ao problema que deu origem à iniciativa. “A gente gosta muito do parquinho, mas lá é muito quente. Com as garrafas vai ficar melhor porque vai ter sombra e a gente vai poder brincar mais”, afirmou.
Projeto concorre a prêmio nacional
O Prêmio Nacional Liga STEAM 2026 é promovido pela Fundação ArcelorMittal e reconhece projetos desenvolvidos em escolas públicas brasileiras com base na abordagem STEAM.
Neste ano, os participantes precisam desenvolver iniciativas relacionadas ao tema “Um futuro mais verde começa na escola”.
Após a segunda fase, a organização prevê divulgar os 10 projetos finalistas no fim de outubro. O anúncio dos vencedores está previsto para a primeira quinzena de novembro.










