O povo Macuxi, de Roraima, tem 13 candidaturas registradas nas Eleições 2026, o maior número entre os povos indígenas identificados no levantamento da Campanha Indígena, iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), com base nos registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao todo, são 191 candidaturas de pessoas que se declararam indígenas nas eleições deste ano. Os registros estão distribuídos por 26 unidades da Federação e representam 64 povos.
Depois dos Macuxi, aparecem Guarani Kaiowá, com 12 candidaturas; Guaraní, com oito; Munduruku, com sete; e Mura e Terena, com seis cada. O povo Wapichana, também de Roraima, aparece com cinco candidaturas.
O número de candidaturas indígenas em 2026 é o maior registrado em eleições gerais desde que o TSE passou a incluir dados de cor e raça nos registros eleitorais, em 2014. Naquele ano, foram 85 candidaturas. O número passou para 133 em 2018 e chegou a 186 em 2022. Em 12 anos, o crescimento foi de 125%.
Disputa por cargos
A maior parte das candidaturas indígenas está concentrada nas disputas para os Legislativos estaduais e federal. São 99 candidatos a deputado estadual e 75 a deputado federal. Também há três candidaturas a deputado distrital.
Na disputa majoritária, quatro pessoas indígenas concorrem ao Senado, três aos governos estaduais e duas a vice-governador. O levantamento registra ainda cinco candidaturas para suplências do Senado.
A Amazônia Legal concentra 80 das 191 candidaturas indígenas, o equivalente a 41,9% do total. Os registros estão distribuídos por estados inseridos nos seis biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa.
Mulheres indígenas
As mulheres representam 84 das 191 candidaturas indígenas registradas para 2026, o equivalente a 44% do total.
Em 2014, eram 29 mulheres entre as 85 candidaturas indígenas. O número passou para 49 em 2018 e chegou a 85 em 2022. Apesar da redução de uma candidatura em relação ao último pleito, a participação feminina permanece próxima do maior patamar registrado.
A Campanha Indígena aponta que, em 12 anos, o número de mulheres indígenas candidatas cresceu cerca de 190%.
Participação política
A presença indígena nas eleições brasileiras vem sendo acompanhada de forma mais precisa desde 2014, quando o TSE passou a registrar dados de cor e raça das candidaturas.
O levantamento também resgata momentos da participação indígena na política institucional, como a eleição de Mário Juruna, do povo Xavante, em 1982, primeiro deputado federal indígena da história do Brasil.
Em 2018, Joenia Wapichana tornou-se a primeira mulher indígena eleita deputada federal. Em 2022, Sonia Guajajara, por São Paulo, e Célia Xakriabá, por Minas Gerais, foram eleitas para a Câmara dos Deputados.
A Campanha Indígena foi criada em 2020 pela APIB e suas organizações regionais de base. Em 2026, a iniciativa apresenta a proposta “Nosso Território, Nossa Vida” e, segundo o release, também lançará a Bancada Indígena 2026, formada por candidaturas indicadas pelas organizações de base.









