A Polícia Federal concluiu e pediu o arquivamento de um dos inquéritos instaurados contra o ex-prefeito de Iracema, Jairo André Ribeiro Sousa, por entender que não foram encontrados elementos mínimos para dar continuidade à investigação. O relatório final foi encaminhado à Justiça Eleitoral após a corporação concluir que as diligências realizadas não comprovaram, nesse procedimento específico, os crimes de corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A decisão se refere a um inquérito aberto após a Operação Voto de Cabresto, deflagrada em agosto de 2025. Na ocasião, Jairo foi preso em flagrante durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, mas a prisão foi relaxada pela Justiça por entender que não havia situação de flagrante para os crimes investigados. O procedimento, então, continuou para verificar se o material apreendido justificaria uma investigação independente.
Segundo o relatório da Polícia Federal, durante a operação foram apreendidos R$ 4 mil em dinheiro, listas com nomes, CPFs e valores, um veículo Toyota SW4 registrado em nome de terceiro e documentos ligados à Prefeitura de Iracema. Apesar disso, as diligências posteriores não conseguiram demonstrar que esses elementos comprovassem, por si só, a prática dos crimes investigados.
No relatório, a PF afirma que, embora tenham sido encontradas listas com nomes de eleitores, não foi possível comprovar que os valores anotados tenham sido efetivamente pagos ou prometidos em troca de votos. Também não foram encontrados indícios suficientes de ocultação de patrimônio que justificassem a continuidade da investigação por lavagem de dinheiro, nem provas de uma associação criminosa autônoma.
A corporação ressaltou ainda que parte dos fatos já é apurada no inquérito principal da Operação Voto de Cabresto e que manter uma investigação paralela poderia gerar duplicidade de apurações. Por esse motivo, sugeriu que os elementos colhidos sejam aproveitados no procedimento principal, que continua em andamento.
Entenda o caso
Jairo Ribeiro foi alvo da Operação Voto de Cabresto, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de compra de votos, associação criminosa e lavagem de dinheiro durante as eleições municipais de 2024 em Iracema.
As investigações apontam que o grupo político investigado teria movimentado cerca de R$ 400 mil por meio de transferências bancárias, empresas de fachada e pagamentos em dinheiro para influenciar eleitores. Também são apuradas suspeitas de coação eleitoral e monitoramento de votos.
O arquivamento sugerido pela Polícia Federal diz respeito apenas ao inquérito instaurado a partir do material apreendido na residência do ex-prefeito durante a operação. A investigação principal da Operação Voto de Cabresto continua em tramitação.
Além desse caso, Jairo Ribeiro também é investigado na Operação Cyclic Impetum, que apura suspeitas de fraudes em licitações e possíveis desvios de recursos públicos durante sua gestão na Prefeitura de Iracema. Conforme a investigação, contratos sob suspeita podem ter movimentado mais de R$ 6 milhões, incluindo verbas destinadas à saúde do município.










