A tentativa de ligar Helena da Asatur (PSD) ao presidente Lula (PT) por causa dos contratos da Voare ignora um fato básico: a empresa já prestava serviços à saúde indígena antes do atual governo, ainda na gestão de Jair Bolsonaro (PL). Há registro de contrato com o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami em 2021 e de uma nova contratação em 2024. A atividade atravessou governos de campos políticos opostos, justamente por prestar um serviço técnico, essencial para as localidades mais remotas de Roraima.

Helena tem ligação com a empresa, e isso é público. O que não se pode fazer é apresentar essa ligação como prova de que Lula concedeu um benefício pessoal à candidata. A Voare é contratada para uma tarefa concreta, que é transportar equipes de saúde, pacientes e insumos em uma região onde muitas comunidades dependem de avião para ter acesso ao atendimento.

A relação da Voare  com o governo federal em ambas as gestões pode ser examinada em documentos públicos. Lá estão descritos os serviços que a empresa presta e o valor que o governo paga. Nenhum desses fatos autoriza transformar uma candidata em culpada por associação. A candidata, inclusive, tem longa trajetória no ramo dos transportes, bem antes de tornar-se deputada há apenas quatro anos.

Helena é empresária do ramo de transportes há muitos anos em Roraima. Foto: acervo pessoal.

Os voos da Voare também contam a história da crise Yanomami

A crise yanomami expôs ao Brasil uma realidade já bem  conhecida em Roraima. Há comunidades onde o atendimento de saúde depende de uma aeronave. Profissionais precisam chegar, pacientes precisam sair e medicamentos precisam atravessar distâncias que uma estrada não resolve. A Voare participa dessa operação. Durante a emergência, uma reportagem da Fiocruz acompanhou voos da empresa e registrou o transporte de equipes, pacientes e insumos na Terra Indígena Yanomami.

É esse trabalho que desaparece quando contratos públicos viram apenas uma arma contra Helena da Asatur (PSD). A empresa de sua família prestava serviços à saúde indígena no governo Bolsonaro e continuou no governo Lula. A contratação não nasceu da candidatura de Helena nem da chegada do PT à Presidência.

Os aviões da Voare fazem parte da ligação entre Boa Vista e áreas remotas. Levam profissionais de saúde, medicamentos e outros insumos; trazem pacientes que precisam de atendimento fora das comunidades. Contratos da empresa também preveem o transporte de víveres. Em meio à crise yanomami, essa capacidade de voar teve importância concreta para a resposta de saúde.

Helena não precisa se desculpar por sua família manter uma empresa em Roraima e prestar um serviço necessário. A Voare recebe por contratos públicos e deve cumprir o que foi contratado. Seus voos, porém, não deixam de atender pessoas porque sua proprietária disputa uma eleição.

Usar o nome de Lula para insinuar que Helena recebeu um favor pessoal, enquanto se ignora a trajetória da empresa e o trabalho de suas aeronaves, é uma forma de esconder do eleitor o que de fato está sendo contratado.

Na saúde indígena, os aviões da Voare transportam profissionais, pacientes e insumos. Sem fatos que sustentem o suposto favorecimento, a acusação se torna apenas mais uma acusação falsa de campanha.

ReportagemRubens Medeiros

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