Foto: Semuc BV

Aos 74 anos, dona Diomar da Silva Rodrigues voltou à sala de aula para realizar um sonho antigo. Aluna da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Escola Municipal Francisco de Souza Bríglia, em Boa Vista, ela comemora novas conquistas, entre elas, a capacidade de escrever o próprio nome.

Natural do interior do Maranhão, Diomar chegou a Roraima aos 21 anos em busca de oportunidades. Viúva, criou os filhos trabalhando como vendedora e afirma que sempre teve vontade de estudar, apesar das dificuldades da rotina. “Já consigo escrever o meu próprio nome, e isso é muito especial para mim. Hoje em dia, mais do que nunca, o estudo é muito importante. Você não consegue nada sem estudo”, afirmou.

A decisão de retornar aos estudos partiu de um incentivo da filha, Kátia Regina Rodrigues, que atua como apoio pedagógico na escola durante o período noturno. “Quando eu passei para o turno da noite, convidei minha mãe para vir comigo. Ela aceitou de imediato, mesmo tendo uma rotina cheia de atividades durante o dia”, contou.

Kátia relembra que a mãe sempre demonstrou tristeza por não ser alfabetizada. “Ela já tinha me confessado que uma das únicas tristezas da vida dela era não saber ler. Então, fazer parte desse processo é muito emocionante. Para mim, ela é pura inspiração, uma mulher cheia de coragem e determinação”, destacou.

A emoção aumentou quando mãe e filha passaram a dividir a mesma sala de aula. Kátia chegou a lecionar para Diomar na EJA. “Foi um enorme prazer ver minha filha formada. Ser aluna dela foi muito emocionante. Dentro da sala, eu fazia questão de chamá-la de professora”, relembrou dona Diomar.

Para Kátia, ensinar a própria mãe foi uma experiência marcante. “Dar aula para a EJA já é algo especial, mas ensinar alguém que me ensinou tudo na vida é uma felicidade ainda maior. Não tenho palavras para expressar a alegria de participar da conquista da minha mãe”, disse.

A trajetória da estudante também emociona os profissionais da escola. Professora da EJA, Eliezina Freitas afirma que muitos alunos chegam inseguros e desacreditados da própria capacidade. “Muitos adultos e idosos chegam com medo, achando que não vão conseguir ler ou escrever. Quando começam a perceber que são capazes, o brilho nos olhos muda completamente. Isso também motiva a gente como professora”, afirmou.

Segundo a professora, avanços considerados simples fazem diferença na autoestima dos estudantes. “Quando eles conseguem ler uma placa, reconhecer palavras no supermercado ou escrever o próprio nome, passam a se sentir mais confiantes e motivados a continuar aprendendo”, explicou.

Além das aulas na EJA, dona Diomar mantém uma rotina intensa de atividades. Ela participa do projeto Cabelos de Prata, faz aulas de dança, como carimbó, além de oficinas de pintura e confecção de bonecos. No fim do ano passado, conquistou a primeira faixa na capoeira.

Com filhos, netos, bisnetos e até um tataraneto, ela afirma que ainda pretende seguir aprendendo. “Enquanto eu tiver vida, quero continuar aprendendo. A gente nunca sabe tudo”, disse.

As matrículas para a Educação de Jovens e Adultos seguem abertas durante todo o ano em Boa Vista. A modalidade é destinada a pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram o Ensino Fundamental na idade regular. As inscrições devem ser feitas diretamente nas unidades escolares que ofertam a EJA.

FonteSemuc BV
ReportagemRedação

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