Após artistas locais voltarem a cobrar publicamente o pagamento de cachês por apresentações já realizadas, o Governo de Roraima afirmou nesta quinta-feira (17) que os valores referentes à atual gestão estão “dentro do prazo de pagamento” e que “não há atraso”.
O posicionamento contrasta com os relatos feitos por músicos nas últimas semanas. Na segunda-feira (14), artistas publicaram um vídeo nas redes sociais afirmando que aguardam há mais de três meses pelos pagamentos e que prazos apresentados anteriormente pelo governo não teriam sido cumpridos.
Em nota divulgada nesta quinta, o Executivo informou ainda que regularizou, nos últimos quatro meses, R$ 1,283 milhão em dívidas deixadas por gestões anteriores com artistas e bandas locais.
Segundo o governo, R$ 338,2 mil já foram pagos por apresentações realizadas nos meses de junho e julho, referentes à atual gestão. Outros R$ 550 mil estariam liberados e deverão ser pagos “nas próximas semanas”.
Com o novo repasse, conforme os números apresentados pelo Executivo, o valor destinado às apresentações de junho e julho chegará a R$ 888,2 mil. Somado aos débitos anteriores que o governo afirma já ter quitado, o montante alcançaria R$ 2,172 milhões.
Os pagamentos abrangem bandas, cantores, DJs e profissionais de teatro, circo, dança, apresentação e locução.
“Carinho, cuidado e sensibilidade”
Ao comentar a situação, a secretária de Cultura e Turismo, Lulia Oliveira, afirmou que existe atenção do governo em relação aos profissionais da cultura.
“Há todo um carinho, cuidado e sensibilidade com a classe artística. Então estamos honrando, vamos pagando e são valores que sempre precisam ser pagos porque é um processo contínuo, todo dia a gente tem banda se apresentando, todo dia a Secretaria está apoiando algum evento no Estado”, declarou.
A Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) acompanha as contratações de artistas para eventos promovidos ou apoiados pelo Governo de Roraima, entre eles o São João no Parque Anauá e a Expoferr.
Artistas dizem esperar há mais de três meses
A afirmação do governo de que os pagamentos da atual gestão não estão atrasados ocorre três dias depois de músicos relatarem publicamente uma situação diferente.
Em vídeo divulgado na segunda-feira (14), a cantora Emelly Oliveira afirmou que os artistas receberam sucessivas previsões de pagamento, mas que os valores continuavam pendentes.
“Tem mais de três meses que a gente está aguardando pelo pagamento do governo. Vários eventos que já foram feitos, que já foram trabalhados, e a gente não recebe”, disse.
Segundo a cantora, novos prazos eram apresentados quando as datas anteriores chegavam ao fim sem que os pagamentos fossem realizados.
“Só pedem prazo, quando chega no dia do prazo, pedem mais prazo porque não conseguiram efetuar o pagamento”, afirmou.
Também participaram da cobrança pública os artistas Vandah Guedes, Thalita Costa, Edilson Marques e Juninho Pegada. Eles afirmaram que cumpriram os compromissos assumidos nas apresentações e pediram ao governo a quitação dos cachês.
Cobranças começaram em agosto
As reclamações não começaram nesta semana. Em 25 de agosto, a cantora e agenciadora artística Nadynne Leal afirmou representar mais de 100 bandas em Roraima e denunciou pendências referentes a apresentações realizadas entre abril e julho. Na ocasião, estimou em aproximadamente R$ 1 milhão o montante que ainda aguardava pagamento.
Após a repercussão, Nadynne informou que houve uma reunião com representantes do governo e que parte dos valores foi paga. Segundo ela, ficou acordado que o restante seria encaminhado para pagamento, com previsão de emissão dos empenhos em até 15 dias. Posteriormente, porém, artistas voltaram a afirmar que nem todos os valores haviam sido quitados.
No dia 9 de setembro, artistas que participaram do São João no Parque Anauá, realizado entre 28 de junho e 4 de julho, também procuraram o Roraima1 para relatar pagamentos pendentes.
Grupos folclóricos e bandas de Boa Vista, Rorainópolis e Caracaraí disseram aguardar cachês de R$ 3 mil por apresentação. Segundo os profissionais, a previsão inicialmente informada era de pagamento em até 30 dias.
Naquela ocasião, a Secult informou ao Roraima1 que os trâmites administrativos e financeiros necessários haviam sido concluídos e que a previsão era quitar os cachês até o fim de setembro.
Governo atribui parte das dívidas a gestões anteriores
No novo posicionamento, o Governo de Roraima também destacou que parte das pendências regularizadas pela atual administração teria origem em gestões anteriores.
Segundo o Executivo, em maio foram autorizados pagamentos de cachês que estavam pendentes desde dezembro de 2025. Na época, 78 agentes culturais estavam credenciados pela Secult, entre bandas de grande e médio porte e artistas solo.
O governo atribuiu essas pendências à atualização do edital de credenciamento, aberto em dezembro de 2025, e à abertura do exercício financeiro de 2026.
Inicialmente, conforme o Executivo, apenas 27 artistas e bandas haviam concluído a documentação necessária. Após a prorrogação do prazo, o número de agentes culturais credenciados chegou a 78.
Já em relação aos serviços contratados pela atual administração, o governo mantém a posição de que os pagamentos seguem dentro dos prazos, apesar dos relatos de artistas de que apresentações realizadas há mais de três meses ainda aguardam quitação.










