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Foto: Divulgação

Continuando a série de reportagens sobre a eleição suplementar para o Governo de Roraima, marcada para o próximo domingo (21), o Roraima 1 apresenta os principais problemas que permanecerão na agenda do próximo governador. Quem vencer a disputa ficará no cargo até 31 de dezembro deste ano.

O período é curto, mas a lista de demandas inclui filas na saúde, danos causados pelas chuvas em estradas e vicinais, problemas em escolas indígenas, indicadores preocupantes da segurança pública e desafios nas contas do Estado.

Fila da saúde

Milhares de pacientes aguardam por exames, consultas e cirurgias na rede estadual de saúde. Em abril deste ano, o Ministério Público de Roraima recomendou que a Secretaria Estadual de Saúde adotasse medidas para reduzir a fila de mais de 2,4 mil pacientes que aguardavam exames de endoscopia digestiva alta e cirurgias de retirada da vesícula pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em janeiro, o MPRR acionou a Justiça para cobrar a regularização das cirurgias de hérnia. Segundo a ação, pelo menos 318 pacientes aguardavam pelo procedimento e alguns estavam na fila havia mais de um ano.

Também são alvo de procedimentos do Ministério Público questões relacionadas à realização de cirurgias cardíacas em recém-nascidos, exames de cateterismo e angioplastia, disponibilidade de cardiologistas e fila de pacientes que aguardam cirurgia bariátrica.

Estradas afetadas pelas chuvas

As chuvas dos últimos meses provocaram danos em rodovias, pontes e estradas vicinais em diversas regiões do estado. Dados do próprio governo apontam que nove municípios decretaram situação de emergência. Aproximadamente 49 mil pessoas foram afetadas e 47 pontos críticos passaram a ser monitorados.

Também foram registrados bloqueios totais e parciais em rodovias e vicinais. Em algumas regiões, comunidades indígenas ficaram isoladas devido às condições das estradas e ao aumento do nível dos rios.

Escolas indígenas

Neste ano, o Ministério Público de Roraima (MPRR) firmou termos de ajustamento de conduta com a Secretaria Estadual de Educação para corrigir problemas sanitários em escolas indígenas. Entre as irregularidades identificadas estavam o uso de água de igarapé sem tratamento, ausência de poços artesianos, quantidade insuficiente de banheiros e falhas nos sistemas de esgotamento sanitário.

Em 2024, o Ministério Público Federal recomendou ao Governo de Roraima a contratação de merendeiras para atender escolas indígenas após o encerramento de contratos que poderiam afetar milhares de estudantes. A recomendação também envolvia a continuidade dos serviços de transporte escolar.

As escolas indígenas também foram alvo de investigação da Polícia Federal em apuração sobre suspeitas de irregularidades na contratação para fornecimento de materiais de higiene, limpeza e conservação. Segundo as investigações, o prejuízo estimado ultrapassa R$ 4 milhões.

Segurança pública

Roraima registrou queda nos homicídios dolosos em 2024, mas liderou o ranking nacional de estupros. Dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam redução de 28,5% nos homicídios em comparação com 2023.

O estado também registrou 716 casos de estupro no ano passado, a maior taxa do país. O levantamento também apontou aumento dos casos de feminicídio e das tentativas de estupro.

Situação fiscal

O Governo de Roraima conta com R$ 81 milhões em caixa. A informação foi divulgada pelo secretário estadual da Fazenda, Kardec Jackson, em entrevista à imprensa local neste mês ao comentar a situação financeira encontrada quando o governador interino Soldado Sampaio assumiu o comando do Estado, em 30 de abril de 2026.

Na mesma entrevista, Kardec afirmou que dos valores frequentemente citados pelo ex-governador Antonio Denarium (Republicanos) como disponíveis nas contas públicas, de R$ 8,174 bilhões correspondem ao saldo acumulado do Instituto de Previdência do Estado de Roraima (Iper), recurso destinado ao pagamento de aposentadorias dos servidores e que não pode ser utilizado pelo Executivo para outras finalidades.

Outro valor citado pelo secretário foi o saldo remanescente de uma operação de crédito de R$ 805 milhões. Os recursos possuem destinação específica prevista em contrato e o pagamento das parcelas representa um desembolso mensal de aproximadamente R$ 16 milhões.

A arrecadação do Fundo de Participação dos Estados (FPE), principal fonte de receita de Roraima, também deve ficar abaixo da previsão inicial. A estimativa apresentada pela Secretaria da Fazenda varia entre R$ 6,6 bilhões e R$ 6,7 bilhões, abaixo dos R$ 6,9 bilhões previstos na Lei Orçamentária Anual.

O governo poderá precisar cancelar entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões em despesas previstas no orçamento para encerrar o exercício de 2026 com equilíbrio fiscal.

Transição para o próximo governo

A eleição suplementar ocorre em junho, mas os eleitores voltarão às urnas em outubro para escolher o governador que comandará Roraima pelos quatro anos seguintes.

Quem vencer a disputa deste domingo poderá concorrer a reeleição no pleito regular. Caso não seja eleito em outubro, será responsável por conduzir a transição para o próximo governador. O mandato termina em 31 de dezembro. Até lá, o vencedor terá pouco mais de seis meses para administrar o Estado e tentar dar início a resolução de todos esses problemas. 

ReportagemRedação

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