Foto: Observatório do Clima

A relação das florestas tropicais com o ciclo das águas em seu entorno é bastante conhecida pela ciência. Entretanto, um estudo publicado na revista Global Change Biology, na terça-feira (17/8), mostra que o impacto do desmatamento pode ser até quatro vezes maior que o estimado pelos cientistas até então. Os pesquisadores concluíram que a perda de vegetação gera uma redução de 55% a 70% na precipitação anual.

O levantamento foi liderado pela cientista Mara Baudena, do Instituto de Ciências da Atmosfera e do Clima do Conselho Nacional de Pesquisas de Turim (CNR-Isac), na Itália, em cooperação com o Instituto Copérnico de Desenvolvimento Sustentável, da Holanda. Foram observados dados climáticos coletados ao longo de 10 anos em toda a região da Amazônia e em uma área ao sul da floresta.

No artigo, a pesquisadora explica que mudou a forma de estimar o impacto da redução das árvores sobre o regime de chuvas. Isso porque, comumente, usa-se uma comparação linear entre a transpiração das plantas e o volume de precipitação anual para medir o impacto do desmatamento. Baudena desenvolveu um modelo não-linear, o que quer dizer que os volumes de chuva variam de uma forma que não é constante em relação à queda na transpiração das plantas.

Assim, a cientista concluiu que mudanças pequenas na umidade do ar, como uma redução de 13%, por exemplo, podem significar grandes alterações no volume de chuvas, com redução de 55%. Isso dá aos ambientalistas um resultado de mão dupla: “Embora os efeitos do desmatamento possam estar subestimados, também significa que a restauração florestal pode ser mais eficaz para o aumento da precipitação do que se supunha anteriormente”, escreve a autora na apresentação da pesquisa.

Dessa forma, a pesquisadora sugere que mudanças na flora amazônica afetam “não apenas a bacia amazônica em si, mas também as bacias vizinhas, como as do La Plata e Orinoco”. Ela conclui informando que entender como esses fenômenos acontecem e dimensionar com precisão os efeitos deles são passos importantes para entender as mudanças na biologia da Terra.

FonteCorreio Brasiliense

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