Arthur Henrique (PL). Foto: arquivo/ Semuc BV

Ao falar sobre saúde pública durante entrevista concedida nesta semana, o ex-prefeito de Boa Vista e candidato ao Governo de Roraima, Arthur Henrique (PL), apostou no discurso de “replicar no Estado” o modelo adotado na capital nos últimos anos.

Embora reconheça as limitações de um eventual mandato tampão de pouco mais de cinco meses, Arthur afirmou que pretende usar o período para reorganizar a estrutura administrativa e preparar um plano de longo prazo para áreas consideradas prioritárias, entre elas a saúde.

Durante a entrevista ao Roraima1, o candidato usou como principal vitrine os indicadores alcançados em Boa Vista na atenção básica.

“Boa Vista saiu de uma das piores coberturas de atenção básica do país para a capital que está em primeiro lugar na cobertura de atenção primária de todo o país”, afirmou.

Arthur citou a construção de 11 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ao longo da gestão municipal e disse que o foco é ampliar ações que “façam diferença direta na vida das pessoas”.

A fala do candidato tenta conectar a experiência da prefeitura à realidade estadual, marcada por reclamações frequentes sobre filas, dificuldades no acesso a especialistas e dependência do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

Crítica ao tratamento fora do estado

Um dos momentos mais fortes da entrevista ocorreu quando Arthur comentou o relato de um morador que precisou buscar tratamento contra câncer para o pai fora de Roraima.

Segundo ele, o paciente acabou sendo encaminhado para Macapá, no Amapá, para realizar cirurgia e tratamento oncológico.

“Se Macapá consegue fazer, por que Roraima não consegue?”, questionou.

A declaração sinaliza uma das linhas que devem aparecer no discurso de campanha do candidato: a crítica à incapacidade do Estado de estruturar serviços de maior complexidade na área da saúde.

Saúde indígena e interior

Arthur também mencionou problemas enfrentados por comunidades indígenas e moradores do interior do estado, associando a precariedade da estrutura pública à ausência de planejamento e investimentos.

Ao abordar a discussão sobre exploração mineral em terras indígenas, o candidato afirmou que hoje existe “atendimento precário de saúde” nas comunidades.

Ele também relatou situações observadas durante viagens pelo interior, citando dificuldades de acesso a serviços públicos básicos e ausência de estrutura adequada em diferentes regiões de Roraima.

Atendimento especializado e TEA

Outro ponto explorado pelo candidato foi o atendimento voltado a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Arthur afirmou que considera como principal legado da gestão municipal a transformação gerada na vida das pessoas atendidas pela rede pública, especialmente em serviços especializados.

Ao citar exemplos, mencionou mães de crianças autistas que teriam percebido avanços após acompanhamento com equipes multiprofissionais.

“Com atendimento de fonoaudiólogo e fisioterapeuta, a criança progrediu em um ano muito mais do que havia progredido nos primeiros anos de vida”, declarou.

Gestão e reorganização

Apesar de evitar promessas grandiosas, Arthur repetiu diversas vezes que pretende fazer um “governo de transição responsável”, baseado em reorganização administrativa, revisão de contratos e eliminação de desperdícios.

Segundo ele, a prioridade inicial será entender a situação financeira e estrutural do Estado antes de anunciar medidas mais amplas.

O candidato também defendeu valorização dos servidores públicos e afirmou que não é possível melhorar os serviços sem investir em condições de trabalho para os profissionais da administração estadual.

ReportagemRubens Medeiros

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