A Polícia Civil de Roraima (PCRR) prendeu um homem de 26 anos e cumpriu outros dois mandados de prisão preventiva durante a Operação Chronos, deflagrada na manhã desta segunda-feira (19). A investigação apura um roubo à mão armada ocorrido em 2 de setembro deste ano, em um estabelecimento comercial de Boa Vista, de onde foram levados cerca de R$ 11 mil em dinheiro, uma pulseira de ouro avaliada em R$ 50 mil, um relógio e o celular de uma funcionária.
A operação foi coordenada pelo 2º Distrito Policial (2º DP) e cumpriu seis mandados judiciais: três de prisão preventiva e três de busca e apreensão. Um dos investigados foi preso, outro, que já estava na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), foi informado formalmente sobre a nova ordem de prisão, e o terceiro não foi localizado e segue sendo procurado.
Como ocorreu o roubo
Segundo a investigação, o crime aconteceu por volta das 12h30, quando o proprietário do estabelecimento chegou ao local e encontrou dois homens que haviam entrado sob o pretexto de buscar uma encomenda.
Depois de acessarem a área interna, os suspeitos anunciaram o assalto e, com armas de fogo aparentemente do tipo revólver, ameaçaram o proprietário e as funcionárias que estavam no local.
Durante a ação, os criminosos teriam arrancado os fios do sistema de câmeras de segurança e trancado as vítimas em uma sala antes de fugir.
Investigação identificou veículo usado na ação
Para identificar os envolvidos, os policiais analisaram imagens do circuito interno do estabelecimento e de câmeras instaladas nas proximidades, além de colher depoimentos, realizar reconhecimentos formais e examinar relatórios de monitoramento eletrônico.
As diligências apontaram que um Volkswagen Fox branco teria sido utilizado como apoio ao roubo. A investigação também identificou possíveis vínculos entre os suspeitos e o veículo.
Conforme a PCRR, os três investigados utilizavam tornozeleiras eletrônicas na época do crime. Relatórios do Centro de Monitoramento Eletrônico (CME), vinculado à Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc), registraram interrupções ou anomalias nos sinais dos equipamentos em períodos compatíveis com a ocorrência.
Um dos investigados, de 47 anos, é apontado pela polícia como responsável pelo apoio logístico. No dia do roubo, um Volkswagen Fox branco foi localizado em uma oficina mecânica no bairro Araceli, onde também foi encontrada uma placa pertencente a outro veículo que, segundo a investigação, teria sido usada para mascarar a identificação do automóvel.
A proprietária da oficina e o responsável pelo estabelecimento relataram que o investigado trabalhava no local e havia solicitado o empréstimo do veículo entre 12h e 14h, intervalo coincidente com o roubo. O monitoramento eletrônico também apontou bloqueio do sinal da tornozeleira nesse período. Intimado a prestar esclarecimentos, ele permaneceu em silêncio.
Reconhecimento dos suspeitos
O segundo investigado, de 36 anos, foi reconhecido formalmente por duas funcionárias que estavam no estabelecimento durante o assalto. Segundo os relatórios de monitoramento, o sinal da tornozeleira apresentou uma anomalia entre 12h40 e 14h31 do dia do crime.
O terceiro investigado, de 26 anos, foi reconhecido por uma funcionária que presenciou o roubo. A polícia informou que ele confessou a prática do crime durante o interrogatório. O monitoramento eletrônico registrou interrupção ou bloqueio do sinal de sua tornozeleira entre 10h55 e 17h44 daquela data.
Com base nos elementos reunidos, o delegado titular do 2º DP, Vinícius do Vale Oliveira, solicitou à Justiça a prisão preventiva dos três investigados e mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a eles.
Um preso e outro procurado
Durante a operação desta segunda-feira, o investigado de 26 anos foi preso. Na residência dele, os policiais apreenderam um celular, uma porção de substância semelhante à maconha e um par de óculos que, segundo a hipótese investigativa, pode ter características compatíveis com o acessório utilizado durante o roubo. Os materiais serão submetidos à perícia.
O investigado de 47 anos já estava custodiado na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo. A equipe policial cumpriu o mandado de busca e apreensão na residência dele, no bairro Raiar do Sol, e depois foi até a unidade prisional para comunicar formalmente a nova ordem de prisão preventiva.
Já o investigado de 36 anos não foi encontrado em casa, no bairro Cidade Satélite, e é considerado foragido. Segundo informações obtidas durante as diligências, ele pode ter fugido para uma região de garimpo. O equipamento de monitoramento eletrônico vinculado a ele está sem sinal desde 3 de outubro.
As buscas para localizá-lo continuam. Segundo o delegado Vinícius do Vale Oliveira, os dispositivos eletrônicos apreendidos serão submetidos a análise técnica, conforme as autorizações judiciais, para auxiliar no esclarecimento do caso e na identificação de novas provas.
O nome da Operação Chronos faz referência ao monitoramento eletrônico utilizado pelos investigados na época do crime. As interrupções registradas nos sinais das tornozeleiras foram um dos elementos considerados durante a investigação.










