Romero Jucá (MDB). Foto: divulgação.

O ex-senador Romero Jucá (MDB) anunciou nesta terça-feira (18) que desistiu de disputar uma vaga de deputado federal por Roraima nas eleições de 2026. Em uma mensagem publicada nas redes sociais, o político afirmou que decidiu não participar da disputa eleitoral deste ano após refletir sobre o atual ambiente político e os impactos das disputas sobre sua vida pessoal e familiar.

“Portanto, é com muita responsabilidade e com o apoio da minha família que decidi não participar da disputa eleitoral deste ano”, afirmou Jucá.

O anúncio ocorre depois de o ex-senador ter registrado a candidatura junto à Justiça Eleitoral e sinalizado o retorno às urnas após oito anos sem ocupar mandato eletivo.

Na mensagem intitulada “Mensagem ao povo de Roraima”, Jucá fez um balanço de sua trajetória política, citou obras e projetos dos quais afirma ter participado e disse que continuará contribuindo com o estado mesmo sem disputar a eleição.

“Meu sonho é ver Roraima se tornar um exemplo positivo para o país. Temos total condição de ser um modelo de desenvolvimento econômico e social. Seguirei ajudando como sempre fiz, porque Roraima está no meu coração e o meu amor por este Estado vai muito além de uma eleição”, declarou.

Jucá critica disputa política

Ao explicar a decisão, Romero Jucá afirmou que o ambiente político mudou nos últimos anos e fez críticas ao que classificou como “conchavos, traições e corrupção eleitoral”.

O ex-senador também relacionou a desistência à repercussão da condenação imposta a ele pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), cujos efeitos foram posteriormente suspensos por decisões de tribunais superiores.

Jucá classificou o julgamento como “absurdo e ilegal” e afirmou que sua imagem pública e sua família foram atingidas pela repercussão do caso.

“No entanto, esse ataque claro à minha pessoa e o tipo de disputa que se avizinha me fez refletir sobre o que realmente quero para o meu futuro. Gosto de fazer política, a boa política. Contudo, a disputa baixa e vil não cabe mais na minha vida”, escreveu.

Em outro trecho, o ex-senador também fez críticas à demora no julgamento de questões relacionadas às eleições de 2022 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As declarações representam a avaliação de Jucá sobre os episódios mencionados.

Decisões suspenderam efeitos de condenação

A candidatura havia sido registrada depois que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspenderam efeitos da condenação imposta a Jucá pelo TRF-1.

Jucá havia sido condenado a 9 anos, 10 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em processo relacionado a uma suposta propina de R$ 150 mil da Odebrecht. Segundo a acusação, o valor teria sido repassado ao diretório estadual do MDB em Roraima.

No STF, o ministro Flávio Dino suspendeu os efeitos da condenação e da inelegibilidade ao analisar argumentos apresentados pela defesa sobre a competência da Justiça Federal para julgar o caso.

No STJ, o ministro Messod Azulay Neto também concedeu decisão favorável ao ex-senador, suspendendo os efeitos da inelegibilidade. As decisões têm caráter provisório e não representam absolvição definitiva no processo.

Na mensagem em que anunciou a desistência, Jucá voltou a contestar a condenação. Ele afirmou que o processo estaria prescrito, que já havia sido absolvido anteriormente e questionou a competência do TRF-1 para analisar o caso.

Candidatura provocou impasse político

Antes da desistência, a candidatura de Jucá a deputado federal entrou diretamente nas discussões sobre a formação das chapas majoritárias em Roraima.

Durante a convenção do MDB, a ex-prefeita de Boa Vista e candidata ao Senado Teresa Surita (MDB) afirmou que existia um entendimento prévio com o grupo do governador interino e candidato ao governo Soldado Sampaio (Republicanos).

“Eu sou a primeira candidata do governador Sampaio. Ele precisa escolher a segunda, ou o segundo, isso cabe a ele. Mas o nosso compromisso está fechado”, declarou Teresa durante entrevista coletiva. Na ocasião, a ex-prefeita afirmou que o entendimento garantia sua participação na chapa majoritária apoiada por Sampaio.

O acordo, entretanto, não avançou. Durante a convenção do Republicanos, Soldado Sampaio anunciou apoio a Pastor Isamar (União Brasil) e Helena da Asatur (PSD) para o Senado. Na coletiva de imprensa realizada no evento, Sampaio citou a candidatura de Romero Jucá à Câmara dos Deputados como motivo para não seguir com o MDB na mesma composição eleitoral.

“Infelizmente o MDB manteve a candidatura do ex-senador Romero Jucá a federal e eu disse para ela que não dava para caminhar, pedi… fiz minhas escusas, mas disse para ela que não tinha como caminhar nesse arranjo político contendo como o ex-senador Romero Jucá candidato a federal dentro do meu palanque”, afirmou Sampaio.

A desistência de Jucá ocorre, portanto, depois de sua candidatura ter sido apontada publicamente como um dos principais obstáculos à composição entre os dois grupos.

Trajetória política

Romero Jucá nasceu no Recife (PE), em 1954, é economista e chegou ao então Território Federal de Roraima na década de 1980. Em 1988, foi nomeado governador pelo então presidente José Sarney e permaneceu no cargo até 1990, período da transição de Roraima de território federal para estado.

Em 1994, foi eleito senador por Roraima. Jucá permaneceu no Senado por três mandatos consecutivos, entre 1995 e 2019. Ao longo desse período, ocupou posições de liderança no Congresso Nacional e exerceu funções em diferentes governos.

Em 2005, deixou temporariamente o Senado para assumir o Ministério da Previdência Social no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2016, ocupou o Ministério do Planejamento no governo Michel Temer.

Nas eleições de 2018, tentou conquistar o quarto mandato consecutivo no Senado, mas não foi eleito. Desde então, permaneceu sem mandato eletivo, embora tenha continuado atuando no MDB e nas articulações políticas em Roraima.

Em 2026, Jucá registrou candidatura a deputado federal após as decisões judiciais que suspenderam os efeitos da condenação e da inelegibilidade. Agora, com o anúncio da desistência, deixa a corrida por uma das oito cadeiras de Roraima na Câmara dos Deputados.

Na despedida, Jucá afirmou que pretende continuar participando da vida pública, mas sem disputar mandato nesta eleição.

“Seguirei ajudando como sempre fiz”, finalizou.

ReportagemRedação

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