O mercado imobiliário de Boa Vista movimentou R$ 206,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, segundo dados apresentados nesta terça-feira (26) durante a divulgação do 11º Censo do Mercado Imobiliário de Boa Vista. O levantamento também aponta a venda de mais de 1,5 mil unidades horizontais entre janeiro e março deste ano.
O estudo reúne dados sobre desempenho do mercado imobiliário, perfil do consumidor, lançamentos e cenário da construção civil na capital. A analista de monitoramento do Sebrae Roraima, Francisleia Prestes, afirmou que a parceria entre as instituições permite acompanhar a movimentação do setor no estado.
“O Sebrae entende o desenvolvimento do estado como uma cadeia. Quando a construção civil cresce, outros setores também acompanham esse crescimento. Isso acaba impactando diretamente os pequenos negócios, gerando mais oportunidades e fortalecendo a economia como um todo”, declarou.
Ela também disse que os dados auxiliam empresários e investidores na tomada de decisões. “Os dados ajudam empresários e investidores a tomarem decisões mais estratégicas e permitem entender melhor o comportamento do mercado, o perfil de crescimento da cidade e a própria evolução da cultura imobiliária local”, afirmou.
Segundo o gestor da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, o primeiro trimestre de 2026 registrou mais de 1.500 unidades vendidas. “O quarto trimestre de 2025 já havia sido o melhor trimestre da nossa série histórica. Agora, no primeiro trimestre de 2026, tivemos o melhor início de ano já registrado. Foram mais de 1.500 unidades vendidas, mostrando que o mercado imobiliário de Boa Vista vem apresentando crescimento excepcional”, disse.
De acordo com o levantamento, entre janeiro e março de 2026 foram vendidas mais de 1.500 unidades horizontais. No mesmo período de 2025, o Valor Geral de Vendas (VGV) passou de R$ 98 milhões para R$ 206,4 milhões em 2026.
O estudo aponta ainda que o VGV de lançamentos horizontais saiu de R$ 47,9 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 192,1 milhões no primeiro trimestre de 2026. No período, foram registrados 1.912 lançamentos horizontais.
Segundo o levantamento, Boa Vista encerrou o trimestre com 2.237 unidades horizontais disponíveis no mercado. Anderson Gonçalves afirmou que, caso o ritmo de vendas permaneça no mesmo nível, o estoque poderá ser reduzido nos próximos meses.
“Se o mercado continuar nessa velocidade tão significativa de vendas, em menos de um ano podemos zerar o nosso estoque. Isso significa que o setor já precisa começar a pensar em novos lançamentos para atender à demanda da cidade, porque senão, daqui uns dias, a gente não tem produto imobiliário dentro da cidade pra vender”, afirmou.
O levantamento considera como produtos horizontais loteamentos abertos, loteamentos fechados e casas em condomínio. Segundo os dados apresentados, os loteamentos abertos concentram 86% das unidades lançadas em comercialização, com 9.648 unidades e ticket médio de R$ 126,5 mil.
Os loteamentos fechados somam 1.540 unidades lançadas, com ticket médio de R$ 413,2 mil. Já as casas em condomínio possuem ticket médio de R$ 490,7 mil e estoque final de quatro unidades.
Ainda conforme o censo, o mercado horizontal possui atualmente 11.214 unidades lançadas, das quais 8.977 foram vendidas, o equivalente a 80,1% do total ofertado. Durante o evento, o presidente do Sinduscon-RR, Clerlânio Fernandes de Holanda, afirmou que o levantamento acompanha indicadores ligados ao setor da construção civil.
“Esse levantamento é muito mais do que números. Ele retrata a economia, as famílias, os investidores e a capacidade de crescimento da nossa cidade. Mesmo diante de desafios como juros elevados, custo do crédito, infraestrutura, segurança jurídica e déficit de mão de obra, a construção civil segue sendo um dos setores que mais gera emprego e renda no país”, disse.
Clerlânio também comentou o cenário político em Roraima. “Naturalmente isso traz atenção e prudência para os investidores, mas a construção civil continua firme, acompanhando tudo com planejamento e acreditando no potencial de desenvolvimento do estado”, afirmou.
Segundo o levantamento, a maior oferta horizontal lançada em Boa Vista ocorreu em 2024, com 5.192 unidades. Os empreendimentos lançados até 2022 apresentam disponibilidade final de 1,5% das unidades ofertadas. O estudo também aponta aumento nos preços médios dos empreendimentos horizontais em diferentes segmentos do mercado imobiliário da capital.










