O helicóptero que caiu após colidir com cabos de alta tensão na zona rural de Boa Vista, em julho de 2022, operava com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) vencido desde janeiro de 2012, mais de dez anos antes do acidente.
O documento, obrigatório para comprovar as condições de aeronavegabilidade da aeronave, estava expirado, enquanto o Certificado de Aeronavegabilidade havia sido cancelado. As conclusões constam no relatório final divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
O acidente ocorreu em 12 de julho de 2022, nas proximidades da Ponte do Água Boa, em Boa Vista. Segundo a investigação, o helicóptero Bell 206B, matrícula PT-HQU, seguia em direção ao norte quando atingiu cabos de alta tensão, perdeu o controle e caiu. O piloto e o passageiro morreram no local.
Aeronave acumulava irregularidades
Além da documentação vencida, o relatório aponta que a aeronave estava interditada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Quando foi adquirida pelo último proprietário, em agosto de 2021, já se encontrava desmontada, com documentação irregular, inspeções vencidas e componentes ausentes.
Os investigadores também identificaram que havia um bloqueio judicial registrado desde novembro de 2021, tornando a aeronave indisponível para uso. Outro ponto destacado é que não foi possível verificar o histórico de manutenção porque as cadernetas da célula e do motor não foram apresentadas durante a investigação.
Piloto não possuía habilitação válida
O relatório do Cenipa também concluiu que o piloto não estava habilitado para operar a aeronave. As habilitações para helicópteros monomotores convencional e turbina estavam vencidas desde 2021 e 2020, respectivamente. O Certificado Médico Aeronáutico (CMA), igualmente obrigatório para a atividade, estava expirado desde setembro de 2020.
A investigação aponta ainda que o voo ocorreu sem plano de voo, exigido para operações na Zona de Controle (CTR) de Boa Vista, e sem registro de comunicação por rádio com o controle de tráfego aéreo. O operador também não possuía Certificado de Operador Aéreo (COA), documento obrigatório para o transporte aéreo público não regular.
Conclusão da investigação
As condições meteorológicas foram descartadas como fator para o acidente, já que havia boa visibilidade e condições adequadas para voo visual no momento da ocorrência.
Embora tenha identificado uma série de irregularidades envolvendo a aeronave e a operação, o Cenipa informou que, conforme a metodologia adotada pelo Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer), não foram identificados fatores contribuintes para o acidente. Por esse motivo, o relatório final não apresenta recomendações de segurança operacional nem ações corretivas.










