
O nível do Rio Branco chegou a 0,26 metro em Boa Vista neste sábado (7), segundo informação da Agência Nacional de Águas (ANA). A marca ocorre em meio ao avanço da estiagem em Roraima e ao alerta de instituições federais sobre os efeitos do El Niño, que deve continuar influenciando as condições de chuva e temperatura no Brasil até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2027.
A quinta edição do Painel El Niño 2026-2027, referente a outubro, aponta que o fenômeno alcançou intensidade muito forte. O documento também registra agravamento da seca em áreas do Norte, incluindo Roraima, e indica possibilidade de chuvas abaixo da média na região entre novembro deste ano e janeiro de 2027.
Segundo o levantamento, as bacias dos rios Negro e Branco permanecem entre as áreas que exigem maior acompanhamento devido aos níveis baixos dos rios e à previsão de chuvas inferiores à média. O painel ressalta, porém, que a Amazônia não apresenta uma situação generalizada de níveis excepcionalmente baixos, como ocorreu em 2023 e 2024.
Seca se agrava em Roraima
Os dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostram que o número de municípios brasileiros classificados em situação de seca extrema passou de quatro, em agosto, para 68 em outubro, considerando os registros parciais do último mês. Já os municípios em seca severa aumentaram de 153 para 232.
O levantamento aponta que Amazonas e Roraima estão entre os estados que apresentaram agravamento das condições de seca. No Norte, a proporção da área classificada em seca grave pelo Monitor de Secas dobrou entre agosto e setembro, passando de 4% para 8%.
El Niño deve continuar muito forte
De acordo com a previsão, o El Niño deve permanecer muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, com enfraquecimento gradual nos meses seguintes. Mesmo com a redução do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, os efeitos do fenômeno sobre o clima ainda poderão persistir.
Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicam que as águas de referência do Pacífico Equatorial registraram, em outubro, temperaturas mais de 3°C acima da média histórica. Na edição anterior do painel, as anomalias superavam 2°C.
Esse aquecimento interfere na circulação da atmosfera e pode alterar a distribuição das chuvas em diferentes regiões do planeta.
Previsão indica menos chuva no Norte
Para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027, a previsão elaborada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte.
As temperaturas também devem permanecer acima da média em quase todo o país, com destaque para a Região Norte, o que pode intensificar os efeitos da estiagem.
O painel também apresenta a previsão de risco de fogo produzida pelo Cemaden. Para o mesmo trimestre, 307 municípios brasileiros estão classificados em alerta alto e outros 464 em alerta, com maior concentração das condições críticas na Região Norte. Apesar disso, a previsão indica redução gradual do risco em parte do território nacional com o avanço da estação chuvosa.
Monitoramento reúne sete instituições federais
O Painel El Niño 2026-2027 é elaborado em conjunto por sete instituições federais: Inpe, Cemaden, Inmet, ANA, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
As informações servem de apoio ao planejamento de medidas de prevenção e preparação diante dos impactos climáticos. O Cemaden monitora continuamente as condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas e encaminha alertas ao Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) e às Defesas Civis.
Atualizado mensalmente, o painel acompanha a evolução do El Niño e seus possíveis efeitos no território brasileiro. As instituições responsáveis ressaltam que as previsões indicam tendências climáticas e podem variar de uma localidade para outra.








