A renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) passa a beneficiar motoristas com bom histórico de condução inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC). Para ter acesso ao benefício, o condutor não pode ter cometido infrações que gerem pontuação nos 12 meses anteriores ao vencimento da Carteira Nacional de Habilitação.
Apesar da praticidade, especialistas alertam que a renovação automática da CNH não elimina a responsabilidade do motorista de acompanhar as próprias condições de saúde para dirigir com segurança.
Segundo Anderson Manzoli, professor de Engenharia da Estácio e especialista em engenharia de transportes, a facilidade no processo não dispensa a atenção às condições físicas e cognitivas do condutor.
Renovação automática da CNH não dispensa cuidados com a saúde
“A renovação automática representa um avanço importante na desburocratização dos serviços públicos. No entanto, dirigir é uma atividade que exige atenção constante às condições físicas e cognitivas do condutor. A praticidade do processo não elimina a necessidade de cada motorista avaliar sua própria aptidão para conduzir um veículo com segurança”, afirma.
Entre os pontos que exigem atenção está a necessidade de uso de óculos ou lentes corretivas. Alterações na visão tendem a se tornar mais frequentes após os 40 anos e podem comprometer a leitura de placas, a identificação da sinalização e a percepção de riscos no trânsito.
De acordo com o especialista, caso o motorista passe a depender de lentes corretivas ou desenvolva outra condição que possa interferir na condução, é importante atualizar essas informações junto aos órgãos responsáveis.
“O mesmo vale para outras condições que possam interferir na condução. A segurança no trânsito depende, em grande parte, da capacidade do condutor de reconhecer suas limitações e agir preventivamente”, diz.
Manzoli também destaca que o envelhecimento da população torna o acompanhamento da saúde um fator cada vez mais importante para a segurança viária.
“Com o aumento da expectativa de vida, teremos cada vez mais motoristas ativos em faixas etárias mais elevadas. Isso exige atenção não apenas dos órgãos de trânsito, mas também dos próprios condutores, que devem manter acompanhamento médico regular e adotar uma postura preventiva em relação à própria saúde”, afirma.
Motoristas das categorias C, D e E continuam sujeitos às exigências previstas na legislação, como a realização do exame toxicológico quando aplicável.
Para o especialista, a renovação automática da CNH representa um avanço na prestação dos serviços, mas a construção de um trânsito mais seguro depende também do comportamento dos condutores.
“A tecnologia tem um papel importante na modernização dos serviços e na redução da burocracia. Mas a construção de um trânsito mais seguro continua passando pela combinação entre infraestrutura, fiscalização, educação e comportamento responsável. Quanto mais consciente for o motorista sobre seu papel nesse sistema, maiores serão os ganhos para toda a sociedade”, conclui.










