cnj violência contra mulher
Foto: CNJ

O número de novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher cresceu 157,22% em cinco anos em Roraima. Segundo dados do Painel de Violência contra a Mulher do DataJud, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foram 2.141 ações em 2020 e 5.507 em 2025.

O crescimento também aparece na comparação mais recente. Em 2024, o estado registrou 4.502 novos processos. No ano seguinte, o total subiu 22,32%, chegando a 5.507. Entre janeiro e julho de 2026, a Justiça de Roraima recebeu outros 3.083 processos relacionados à violência doméstica contra a mulher, média de 14,54 novos casos por dia.

No Brasil, foram registrados 742.279 novos processos até julho deste ano, média de 3.501 por dia. O volume anual passou de 599.472, em 2020, para 1.133.556, em 2025, crescimento de 89,09%.

Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, o avanço dos registros pode estar relacionado ao maior conhecimento das mulheres sobre os tipos de violência e os mecanismos disponíveis para buscar proteção.

“O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores. Hoje há maior divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos canais de atendimento. Com isso, situações que antes permaneciam escondidas começam a chegar à polícia e à Justiça”, explica.

O aumento dos processos, no entanto, não significa necessariamente que os episódios de violência tenham crescido na mesma proporção. Os dados do CNJ consideram apenas os casos que chegaram ao Judiciário. “Os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais”, afirma Tavolassi.

Segundo o advogado, fatores como medo, ameaças, dependência financeira ou emocional, vergonha e ausência de uma rede de apoio podem dificultar a denúncia. “Por isso, o número real de vítimas pode ser muito maior”, ressalta.

Como reconhecer a violência e buscar ajuda

A violência doméstica não se restringe à agressão física. Ela também pode envolver ameaças, humilhações, perseguição, controle financeiro, isolamento da vítima e outras formas de intimidação.

“A violência doméstica não começa somente com uma agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle do dinheiro, isolamento de amigos e familiares, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também precisam ser considerados”, alerta o advogado.

Essas condutas podem aumentar de frequência e gravidade ao longo do tempo. Por isso, ameaças e atitudes de controle não devem ser tratadas apenas como conflitos comuns do relacionamento.

Em situações de risco imediato, a orientação é buscar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. O Ligue 180 oferece atendimento 24 horas e informações sobre os serviços disponíveis para mulheres em situação de violência.

“Se for possível, é importante guardar mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas. Esses materiais podem ajudar na investigação. No entanto, a mulher não deve adiar o pedido de ajuda por achar que ainda não possui provas suficientes”, orienta Tavolassi.

FonteGandini Comunicação
ReportagemRedação

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