Foto: Ascom/Soldado Sampaio

Há um simbolismo inevitável quando um político que declarou mais de R$ 4,2 milhões em patrimônio em 2022 aparece, quatro anos depois, informando menos da metade desse valor à Justiça Eleitoral. No caso de Soldado Sampaio (Republicanos), a redução patrimonial não é apenas uma curiosidade contábil, ela se soma a um histórico recente de dificuldades administrativas justamente no comando da Assembleia Legislativa de Roraima.

Nos últimos meses, a Assembleia acumulou episódios de suspensão e atraso de pagamentos, reflexo de problemas de controle orçamentário e financeiro durante a gestão de Sampaio na presidência da Casa. A situação expôs fragilidade administrativa em um Poder que, nos últimos anos, operou com um dos maiores orçamentos da história do Legislativo estadual.

Agora, o mesmo grupo político tenta convencer o eleitor de que está preparado para administrar um Estado inteiro. A contradição é inevitável.

Se houve dificuldade para manter equilíbrio financeiro dentro de seu patrimônio pessoal e dentro da própria Assembleia, que possui estrutura e orçamento muito menores que os do Executivo estadual, é legítimo questionar como seria a condução das contas de Roraima sob um governo sustentado por promessas políticas, acomodações e expansão de alianças.

O próprio Sampaio já afirmou esperar apoio de “23 dos 24 deputados” estaduais. A frase talvez revele menos força institucional e mais o custo político de um projeto baseado na construção de unanimidades artificiais. E unanimidade, em política, não sai barata.

Governos montados sobre acordos amplos costumam exigir expansão de cargos, aumento de despesas, distribuição de espaços de poder e compromissos financeiros permanentes. O problema é que Roraima não vive realidade fiscal confortável para sustentar aventuras administrativas.

Roraima depende fortemente de repasses federais, possui baixa arrecadação própria e enfrenta crescimento contínuo das despesas públicas. Nesse cenário, transformar o governo em instrumento de acomodação política pode produzir consequências graves e duradouras.

A preocupação vai muito além da disputa eleitoral para ver quem fica com o poder. Trata-se da capacidade do Estado de continuar funcionando sem colapsar financeiramente diante de promessas feitas para sustentar apoios momentâneos.

As promessas desenfreadas típicas de períodos eleitorais, especialmente em uma eleição suplementar marcada por tensão institucional e corrida por apoios rápidos, costumam produzir consequências duradouras. Benefícios ampliados sem planejamento, expansão de estruturas administrativas, pressões corporativas e compromissos assumidos nos bastidores podem comprometer anos de estabilidade financeira.

Para convencer a população de que será capaz de manter as contas do Estado no azul, o exemplo precisa começar pelas próprias ações. Até aqui, porém, o que Soldado Sampaio tem demonstrado aponta justamente na direção contrária.

ReportagemRubens Medeiros

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