
O vice-governador não é apenas um complemento eleitoral. É o primeiro na linha sucessória do Estado. Pode assumir o comando do Executivo a qualquer momento, seja em uma viagem oficial, em um afastamento temporário ou, em situações mais extremas, de forma definitiva. Por isso, seu currículo deveria importar tanto quanto sua capacidade de agregar votos.
Sob essa perspectiva, as escolhas que começam a surgir em Roraima chamam atenção por um aspecto positivo, valorizam trajetórias profissionais consolidadas.
Haroldo Cathedral construiu sua carreira na educação. Fundou e administrou instituições de ensino superior, tornou-se referência no setor educacional privado em Roraima e posteriormente exerceu mandato como deputado federal. Seu percurso reúne experiência administrativa, gestão de grandes organizações e passagem pelo Legislativo nacional.
Já Ilma Xaud, caso sua indicação seja oficializada, representa um perfil igualmente vinculado à educação e à gestão pública. Professora, com atuação em funções administrativas e institucionais, construiu uma carreira associada ao serviço público e à formação de pessoas, além de participação em entidades da sociedade civil.
Embora tenham histórias diferentes, ambos chegam ao debate público por características semelhantes. São nomes cuja identidade política está apoiada, antes de tudo, na trajetória profissional construída ao longo de décadas. Trabalhos sérios, consolidados. Não surgem como figuras conhecidas exclusivamente pela disputa eleitoral, mas por experiências acumuladas na administração, na educação e na vida institucional.
Esse talvez seja um critério que mereça maior atenção do eleitor. Um bom vice não precisa ser protagonista. Precisa estar preparado para substituir o governador quando necessário. Preparado para coordenar políticas públicas, liderar projetos estratégicos e representar o Estado em missões institucionais. Em muitos governos, é justamente o vice quem assume agendas complexas que exigem capacidade de articulação e gestão.
Isso não significa que currículo, por si só, garanta um bom governo. Liderança, capacidade política, lealdade institucional e habilidade para construir consensos continuam sendo atributos fundamentais. Mas uma trajetória consistente costuma oferecer indícios importantes sobre como alguém exerce responsabilidades públicas.
Se confirmadas as composições das chapas, Haroldo Cathedral e Ilma Xaud chegam ao processo eleitoral com perfis que deslocam o debate para além da matemática eleitoral. Independentemente das preferências políticas de cada eleitor, ambos apresentam trajetórias que permitem discutir um tema muitas vezes negligenciado: a qualidade de quem ocupa a vice-governadoria.
Talvez esse seja o verdadeiro mérito dessas escolhas. Elas lembram que o vice não é um figurante da campanha. É um agente do governo em potencial. E essa condição, por si só, justifica que sua formação, sua experiência e sua capacidade de gestão sejam analisadas com o mesmo rigor dedicado aos candidatos ao cargo principal.









