A Justiça Federal recebeu denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra seis pessoas investigadas por integrar um esquema de comercialização ilegal de ouro e diamantes que operava entre Roraima e o Peru.
Segundo o MPF, o grupo é acusado de explorar, negociar e transportar minérios de origem clandestina, utilizando uma estrutura organizada com atuação no Brasil e no exterior. Os investigados responderão pelos crimes de exploração ilegal de recursos minerais da União, organização criminosa transnacional, contrabando e lavagem de dinheiro.
De acordo com a denúncia, os envolvidos atuavam de forma coordenada, com divisão de tarefas para aquisição, transporte, ocultação e comercialização dos minérios. As investigações apontam que as negociações envolviam viagens internacionais, contatos estrangeiros e operações realizadas em Lima, capital peruana.
As investigações tiveram início a partir da Operação Assucena, realizada em Roraima. Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em um estabelecimento comercial ligado a um dos investigados, agentes encontraram documentos, registros e materiais que indicavam a existência de um esquema de comércio clandestino de ouro e diamantes.
Com autorização judicial para compartilhamento das provas, o material apreendido deu origem a um novo inquérito.
Entre os documentos analisados estavam propostas de negociação de grandes quantidades de minério, registros empresariais, contratos particulares, listas de fornecedores e clientes, além de arquivos digitais e trocas de mensagens entre os investigados.
Segundo o MPF, as provas reunidas apontam para uma estrutura voltada à movimentação de recursos minerais extraídos ilegalmente.
Mensagens obtidas durante as investigações indicam que o grupo teria investido aproximadamente R$ 350 mil na aquisição de ouro no Peru. Os investigadores também identificaram negociações envolvendo diamantes avaliados em mais de US$ 100 mil.
Além disso, foram encontradas planilhas contendo informações sobre pureza e cotação do ouro, fotografias de barras do metal precioso e registros de transações comerciais.
MPF pede indenização e perda de bens
Na ação penal, o Ministério Público Federal também pede que os denunciados sejam condenados ao pagamento de, no mínimo, R$ 200 mil por danos morais coletivos e sociais causados pelas infrações.
Caso o pedido seja aceito pela Justiça, os recursos deverão ser destinados ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.
O órgão também solicita a perda dos bens apreendidos durante as investigações, sob o argumento de que teriam sido utilizados para viabilizar as atividades criminosas.
O caso é conduzido pelo 2º Ofício da Amazônia Ocidental do MPF, unidade especializada no combate à mineração ilegal nos estados de Roraima, Amazonas, Acre e Rondônia.










