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Foto: Semuc

A falta quase total de chuvas em julho comprometeu a produção agrícola de Roraima e contribuiu para uma quebra estimada entre 30% e 50% na safra de 2026. O período coincide com uma fase decisiva para o enchimento dos grãos, quando as lavouras precisam de água para o desenvolvimento da produção. O cenário é descrito em nota técnica da Plataforma Regional Norte da Embrapa, elaborada para orientar o enfrentamento dos efeitos do El Niño na Região Norte.

Segundo o documento, a estimativa foi relatada por um representante do setor produtivo durante o 1º Seminário de Mudanças Climáticas Globais, realizado em Boa Vista em 31 de agosto. A nota destaca que as características climáticas de Roraima, cujo período de chuvas ocorre em calendário diferente do restante da Amazônia, fizeram com que os efeitos da estiagem atingissem a agropecuária do estado de forma antecipada. 

Além disso, a nota técnica confirma a projeção de um El Niño com forte intensidade no ciclo 2026/2027, com possibilidade de temperaturas elevadas, chuvas abaixo da média e períodos prolongados de déficit hídrico. A combinação aumenta a vulnerabilidade das lavouras e exige medidas preventivas para reduzir os prejuízos no campo.

Risco para a agricultura na Região Norte

O documento aponta que a falta de água no solo pode comprometer diferentes fases do desenvolvimento das plantas na Região Norte, especialmente a floração e a formação dos frutos em cultivos como soja, mandioca, milho e feijão-caupi. A estiagem também reduz a disponibilidade de pastagens para o gado, aumenta o estresse térmico dos rebanhos e eleva o risco de incêndios em áreas rurais.

Entre as recomendações estão a manutenção de palhada sobre o solo para diminuir a perda de umidade, a suspensão do uso do fogo na limpeza de terrenos e a adoção de sistemas de irrigação mais eficientes, como o gotejamento. A Embrapa também orienta os produtores a seguir o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que indica períodos de plantio com menor probabilidade de perdas.

O documento recomenda ainda o uso de cultivares adaptadas ao estresse hídrico, o escalonamento da semeadura e o planejamento da alimentação dos rebanhos para enfrentar a redução da oferta de pastagem durante a estiagem.

Apoio aos produtores

A nota técnica defende o fortalecimento de políticas de apoio ao setor agropecuário, incluindo a ampliação do acesso ao seguro rural, a agilização de processos do Proagro e a oferta de linhas de crédito para investimentos em irrigação, captação e armazenamento de água.

O planejamento antecipado é apontado como fundamental para reduzir os prejuízos provocados por eventos climáticos extremos. A orientação é combinar monitoramento meteorológico, assistência técnica e medidas de conservação do solo e da água para aumentar a capacidade de recuperação das propriedades rurais.

ReportagemRedação

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