Cerca de 40 artistas se reúnem em frente ao Palácio do Governo para cobrar cachês atrasados
Artistas se unem em protesto para cobrar cachês - Foto: Divulgação

Cerca de 40 artistas do ramo musical se reuniram na tarde desta quarta-feira (28), em frente ao Palácio do Governo, no Centro Cívico de Boa Vista, para cobrar o pagamento de cachês atrasados pelo Governo de Roraima. Durante a manifestação, a secretária estadual de Cultura, Lulia Oliveira, esteve no local e prometeu quitar os valores em até dez dias, segundo um dos participantes, que preferiu não se identificar. 

De acordo com o artista, a secretária afirmou que os pagamentos já estão na fase de empenho e que os recursos foram obtidos. Apesar da promessa, os profissionais pretendem manter a mobilização até que o dinheiro seja efetivamente depositado.

“Vamos esperar esses dez dias, mas dentro desses dez dias vamos continuar juntos em movimento até receber”, afirmou o músico.

A manifestação foi convocada por artistas, músicos, integrantes de bandas, técnicos de som e outros profissionais da cultura, sob o lema “Roraima sem show”. A categoria cobra a regularização dos valores e o cumprimento de promessas feitas pelo poder público após meses de espera.

Segundo o participante, há cachês pendentes de apresentações realizadas desde julho, além de valores residuais de meses anteriores. Ele relatou que algumas bandas aguardam pagamentos referentes a janeiro, fevereiro, março e abril, devido a problemas nos processos administrativos.

“Essa falta de respeito e essa desvalorização com a classe artística daqui de Roraima já vêm se arrastando há muito tempo, e chega uma hora que cansa”, disse.

Artistas ameaçam não tocar na Expoferr

A mobilização ocorre às vésperas da 45ª edição da Expoferr 2026, marcada para os dias 3 a 7 de novembro, no Parque de Exposições Dandãezinho, na zona rural de Boa Vista. O evento contará com shows de artistas nacionais, enquanto músicos locais afirmam que ainda não receberam por apresentações já realizadas.

Segundo o participante do protesto, parte dos profissionais decidiu não se apresentar na feira enquanto os pagamentos não forem regularizados. A categoria questiona a contratação de grandes atrações para o evento diante da existência de débitos com artistas do próprio estado.

Além dos cachês atrasados, os músicos reivindicam melhores condições de trabalho e reconhecimento profissional. O artista relatou que, em algumas apresentações no interior, as bandas precisam arcar com transporte, alimentação e outros custos para cumprir os compromissos.

“Você sai daqui de Boa Vista com uma banda para o interior, vai no seu carro, vai dirigindo, acaba de tocar e volta dirigindo. Isso é um desrespeito com a gente”, afirmou.

Ele acrescentou que muitos profissionais continuam trabalhando porque dependem da renda e têm paixão pela música, mas enfrentam dificuldades quando os pagamentos não são feitos no prazo.

Secult havia anunciado fase final dos pagamentos

Em nota divulgada na terça-feira (27), a Secretaria Estadual de Cultura e Turismo (Secult) informou que os processos de pagamento de artistas e bandas que se apresentaram em eventos do governo estavam na fase final de empenho, etapa administrativa anterior à liquidação e ao pagamento.

A pasta afirmou que as equipes técnicas e financeiras trabalhavam para agilizar os procedimentos e que a previsão era de que os recursos fossem creditados nas contas dos representantes das bandas e dos profissionais nas semanas seguintes.

Os atrasos vêm sendo denunciados por artistas desde abril. Em mobilizações anteriores, profissionais relataram que parte dos valores havia sido paga, incluindo cachês referentes a abril, maio e parcelas de junho e do Arraial, mas que ainda existiam débitos pendentes.

Em setembro, a Secult havia informado que os procedimentos administrativos e financeiros estavam concluídos e que a previsão era quitar os valores até o fim daquele mês. Posteriormente, artistas voltaram a denunciar que parte dos pagamentos continuava pendente.

Artistas cobram valorização da profissão

Além da regularização dos cachês, a categoria busca chamar a atenção da população para a importância do trabalho dos músicos. Segundo o participante, a profissão ainda é alvo de preconceito e nem sempre é reconhecida como uma atividade profissional.

“Muitas vezes, o músico não é visto como profissão. É visto como um vagabundo que não trabalha”, afirmou.

O artista disse que a categoria pretende continuar unida para cobrar os pagamentos e evitar que a situação se repita.

ReportagemRedação

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