Um casal venezuelano foi preso preventivamente na manhã desta segunda-feira (19), no bairro Alvorada, zona oeste de Boa Vista, suspeito de sequestrar, torturar e extorquir duas pessoas. Segundo a Polícia Civil de Roraima (PCRR), as vítimas foram mantidas em cativeiro e os familiares tiveram que pagar R$ 9 mil para conseguir a libertação. Os crimes ocorreram entre os dias 25 e 26 de julho deste ano.
As prisões ocorreram após quase três meses de investigação conduzida pelo 4º Distrito Policial, sob responsabilidade do delegado Jonathan Freese. Durante a apuração, foram analisados depoimentos, comprovantes de transferências bancárias, informações sobre veículos e vídeos gravados durante o cativeiro.
De acordo com a Polícia Civil, o caso começou na tarde de 25 de julho, quando um venezuelano de 20 anos foi levado à força para um lava-jato, onde teria sido amarrado e agredido. A violência teria sido motivada por um desentendimento relacionado ao desaparecimento de objetos do estabelecimento.
Na mesma noite, o suspeito de 25 anos, acompanhado da companheira, de 29, teria ido à residência dos pais de uma brasileira de 19 anos, namorada da primeira vítima. No local, os envolvidos recolheram aparelhos celulares para impedir que a família acionasse a polícia.
A jovem foi retirada à força da residência e agredida diante dos familiares. Em seguida, foi levada para um imóvel no bairro Asa Branca, onde o namorado também estava sendo mantido em cativeiro.
Segundo as investigações, os dois permaneceram trancados e amarrados, sofrendo agressões físicas e ameaças. Durante os depoimentos, o suspeito admitiu ter mantido as vítimas no imóvel e agredido ambas com uma tábua de madeira.
Ele também confirmou ter gravado um vídeo em que os dois eram obrigados a fazer declarações sobre o suposto furto e assumir o compromisso de pagar pelos prejuízos alegados.
Familiares pagaram R$ 9 mil pela libertação
Enquanto as vítimas permaneciam em cativeiro, os familiares receberam cobranças para conseguir a libertação. Os suspeitos exigiram R$ 4 mil pela jovem e R$ 5 mil pelo namorado.
Para reunir o dinheiro, os familiares precisaram buscar recursos e chegaram a empenhar uma motocicleta.
A investigação identificou indícios de que a mulher presa participou diretamente das negociações, fornecendo uma chave Pix vinculada à própria empresa para receber parte dos valores. Os comprovantes das transferências foram analisados pela Polícia Civil.
Após os pagamentos, a jovem foi deixada na Praça Germano Sampaio, no bairro Pintolândia, por volta das 2h do dia 26 de julho. O namorado foi libertado posteriormente, por volta das 4h30.
Conforme os depoimentos, a jovem apresentava inchaço no rosto e hematomas provocados pelas agressões.
Investigação continua
Com as provas reunidas, o delegado Jonathan Freese solicitou à Justiça a prisão preventiva do casal. Os mandados foram cumpridos na manhã de segunda-feira (19).
“Uma suspeita de crime deve ser apurada pelas autoridades e não autoriza ninguém a sequestrar, agredir ou exigir dinheiro para libertar pessoas. Nosso trabalho foi reconstituir a dinâmica dos fatos, reunir provas e identificar a participação dos envolvidos”, afirmou o delegado.
A Polícia Civil também investiga a possível participação de outras pessoas nos crimes. As diligências continuam para esclarecer a atuação de cada envolvido.
Após as prisões, os suspeitos foram encaminhados à sede do 4º Distrito Policial para os procedimentos legais. Ambos devem passar por audiência de custódia nesta terça-feira (20).










