A Prefeitura de Boa Vista inaugurou a primeira unidade móvel do CRAS Itinerante, serviço que leva atendimentos da assistência social a comunidades indígenas e áreas rurais do município. A comunidade Campo Alegre foi a primeira a receber a estrutura, que passa a acompanhar as equipes durante os atendimentos realizados fora da área urbana.
O veículo é climatizado e foi preparado para oferecer um espaço próprio para atendimentos individuais e familiares. O CRAS Itinerante já atua desde 2023 e leva às comunidades serviços como inclusão e atualização do Cadastro Único, orientações sobre direitos e benefícios e ações dos programas PAIF, SCFV e Família que Acolhe (FQA).
Atendimento chega a 8 mil pessoas
Atualmente, o CRAS Itinerante atende mais de 8 mil pessoas distribuídas entre comunidades indígenas e áreas rurais de Boa Vista. As equipes seguem um cronograma mensal que contempla nove polos, utilizados também como referência por moradores de localidades próximas.
Antes da unidade móvel, os atendimentos eram realizados em espaços cedidos pelas próprias comunidades, como escolas, igrejas e estruturas comunitárias. Com o novo veículo, os profissionais passam a contar com um ambiente próprio e climatizado para receber as famílias.
O cronograma prevê cerca de 15 dias de atividades por mês. Além dos serviços da assistência social, as equipes identificam outras necessidades dos moradores e fazem os encaminhamentos para áreas da rede municipal e serviços de proteção.
Campo Alegre recebe primeiro atendimento
Com 584 moradores distribuídos em 154 famílias, Campo Alegre foi a primeira comunidade a receber a nova estrutura. Para o tuxaua Marister Silva, o veículo também beneficia moradores de outras localidades do Baixo São Marcos.
“A chegada dessa unidade móvel é muito importante para nós, porque vai proporcionar mais conforto e segurança às mães e a todas as pessoas que precisam dos atendimentos. Ficamos muito felizes por Campo Alegre ser a primeira comunidade contemplada e esperamos que esses serviços continuem chegando cada vez mais ao nosso povo”, afirmou.
A distância até a área urbana é uma das dificuldades enfrentadas pelos moradores. Lyz Karen, moradora de Campo Alegre e mãe de uma criança de 1 ano, contou que o deslocamento até Boa Vista pode pesar no orçamento das famílias que vivem em sítios afastados.
“Esse trabalho facilita bastante, por causa da distância e da locomoção. Eu moro em um sítio bem longe e, muitas vezes, ir até a cidade fica difícil. Nem todo mundo tem veículo e só com transporte podemos gastar mais de R$ 100 para ir e voltar. Ter esse atendimento aqui facilita muito para nós”, disse.
Lyz também relatou que os dois filhos foram acompanhados pelo Família que Acolhe. Segundo ela, o programa oferece orientações durante a gestação e após o nascimento, especialmente para mães de primeira viagem.
“Eles acompanham desde antes do nascimento e continuam depois, explicando sobre os cuidados com a criança. Para as mães de primeira viagem, especialmente, esse apoio ajuda muito”, acrescentou.
Estrutura própria para os atendimentos
Outra moradora de Campo Alegre, Antônia Oliveira, também aprovou a nova estrutura do CRAS. Mãe de quatro filhos, ela acompanha a filha mais nova, Yana, de 3 anos, pelo Família que Acolhe.
“Achei muito importante porque agora temos um espaço bom, climatizado e com uma estrutura adequada. Antes, às vezes, o atendimento acontecia no barracão e, quando tinha vento ou chuva, dificultava. Melhorou bastante para quem precisa utilizar esses serviços”, contou.
Segundo Antônia, o acompanhamento também trouxe novas informações sobre amamentação, crescimento e desenvolvimento infantil.
“Mesmo sendo mãe experiente, senti a diferença desse acompanhamento com a minha filha mais nova. Coisas que eu não sabia acabei descobrindo por conta do programa”, pontuou.
A secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Nathália Cortez, afirmou que a unidade do CRAS resolve uma dificuldade enfrentada pelas equipes durante os atendimentos nas comunidades.
“Nossas equipes vêm todos os meses às comunidades, mas tínhamos a dificuldade de oferecer um espaço confortável e adequado para receber essas famílias. Hoje entregamos uma estrutura climatizada, com qualidade e preparada para os atendimentos”, concluiu.










