Geovane Yanomami é o agente comunitário de saúde morto. Foto: JASB

A violência na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, resultou na morte de um agente indígena de saúde e de uma criança de 10 anos durante um ataque armado registrado na comunidade Xitei, na última sexta-feira (17). As circunstâncias do caso são investigadas pela Polícia Federal.

A primeira vítima foi Geovane Yanomami, Agente Indígena de Saúde (AIS), que atuava no Polo Base do Xitei. Segundo informações divulgadas pela Urihi Associação Yanomami e por entidades ligadas à saúde indígena, ele foi baleado enquanto a equipe iniciava a triagem de pacientes na unidade. Geovane havia se afastado por alguns instantes do posto quando os disparos começaram e morreu ainda no local.

Durante o ataque, profissionais de saúde se abrigaram dentro da unidade e permaneceram deitados no chão até o fim dos tiros, segundo relato da presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Privados de Serviços de Saúde de Roraima (Siemesp-RR), Joana Gouveia.

Terra Yanomami em Roraima. Foto: Bruno Mancinelle/ Casa de Governo.

No mesmo episódio, uma menina yanomami de 10 anos foi atingida por um tiro na cabeça e morreu instantaneamente. O disparo ocorreu quando homens armados abriram fogo contra a comunidade onde a criança estava.

Segundo a Urihi Associação Yanomami, o ataque ocorreu em meio a um conflito entre comunidades da região do Xitei. A entidade classificou o assassinato do agente de saúde como um incidente direcionado especificamente ao profissional.

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), informou que disponibilizou atendimento psicológico aos profissionais que atuam no Polo Base do Xitei e afirmou que a assistência à população indígena será mantida. A Casa de Governo também informou que acompanha a situação e que a segurança na região conta com apoio da Força Nacional.

Geovane desempenhava papel considerado essencial no atendimento às comunidades yanomami, auxiliando equipes médicas e de enfermagem, orientando pacientes e atuando como intérprete entre os profissionais de saúde e a população indígena.

O caso reacende a preocupação com a violência na Terra Indígena Yanomami. Em 2023, outro agente indígena de saúde, Ilson Xirixana, também foi morto durante um ataque na região, em um episódio atribuído por lideranças indígenas à atuação de homens armados ligados ao garimpo ilegal.

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