O ex-senador Telmário Mota, de 68 anos, foi preso novamente na manhã desta quarta-feira (28), na Fazenda Caçada Real, zona rural de Boa Vista. Réu pela morte de Antônia Araújo de Sousa, assassinada em setembro de 2023, ele havia deixado a cadeia em abril de 2025, após conseguir prisão domiciliar por problemas de saúde.
A nova prisão ocorreu após a Justiça negar, no último dia 20, um pedido da defesa para revogar a prisão preventiva ou substituí-la por medidas cautelares. Os advogados alegaram agravamento do estado de saúde do ex-parlamentar, mas o juízo considerou que permaneciam os motivos que justificavam a prisão, como a garantia da ordem pública e a preservação da instrução criminal.
O novo mandado foi expedido em 22 de outubro e cumprido por equipes da Delegacia Geral de Homicídios (DGH), sob coordenação do delegado Thiago Alexandre. Segundo a Polícia Civil, Telmário não ofereceu resistência e foi levado à delegacia para os procedimentos legais.
Ex-senador havia conseguido prisão domiciliar
Telmário foi preso pela primeira vez em 30 de outubro de 2023, na cidade de Nerópolis, em Goiás, cerca de um mês após o assassinato de Antônia.
Em dezembro daquele ano, a Justiça converteu a prisão temporária em preventiva. O ex-senador permaneceu no sistema prisional até abril de 2025, quando conseguiu autorização judicial para cumprir prisão domiciliar, inicialmente por 60 dias, mediante uso de tornozeleira eletrônica.
Na ocasião, a defesa apresentou problemas de saúde como justificativa para a transferência. A decisão permitiu que ele deixasse a unidade prisional em 17 de abril, com restrições de deslocamento.
Agora, ao analisar o novo pedido da defesa, a Justiça entendeu que o estado de saúde alegado não era suficiente para afastar os fundamentos da prisão preventiva no processo por homicídio.
Assassinato ocorreu em setembro de 2023
Antônia Araújo de Sousa, de 52 anos, foi morta com um tiro na cabeça em 29 de setembro de 2023, quando saía de casa, no bairro Senador Hélio Campos, zona Oeste de Boa Vista.
Segundo a investigação, um homem em uma motocicleta se aproximou da vítima, chamou-a pelo nome e, após confirmar sua identidade, efetuou o disparo e fugiu.
A Polícia Civil apontou Telmário como suspeito de ordenar o assassinato. O sobrinho dele, H.N.C.M., teria participado do planejamento e da logística do crime, enquanto L.L.C. foi identificado como o suposto executor.
Uma assessora do ex-senador, identificada pelas iniciais C.G.C., também foi investigada por suspeita de monitorar a vítima e repassar informações aos envolvidos.
As investigações indicaram que a Fazenda Caçada Real, onde Telmário foi preso nesta quarta-feira, teria sido utilizada para reuniões relacionadas à preparação do assassinato.
A polícia também apurou uma possível ligação entre o homicídio e um processo criminal envolvendo a filha de Antônia e do ex-senador. A jovem havia acusado o pai de violência sexual, e a mãe seria ouvida no processo poucos dias depois de ser assassinada.
Telmário deverá passar por audiência de custódia ainda nesta quarta-feira (28), conforme determinação judicial.










