Enquanto os holofotes se voltam para os espetáculos apresentados na Arena Junina, uma figura permanece presente em praticamente todos os momentos marcantes do Concurso de Quadrilhas do Boa Vista Junina. Aos 65 anos, Chiquinho Santos segue à frente do tablado, conduzindo apresentações, anunciando resultados e acompanhando de perto a evolução do movimento junino que ajudou a construir ao longo de quase três décadas.
Com 30 anos dedicados ao universo das quadrilhas e 26 edições do Boa Vista Junina no currículo, Chiquinho se tornou uma das personalidades mais conhecidas e respeitadas da cultura popular roraimense. Sua voz, familiar para quadrilheiros e público, atravessou gerações e hoje é considerada parte da identidade do Maior Arraial da Amazônia.
Mais do que apresentador, ele participou diretamente da estruturação do concurso. Foi responsável pela criação do regulamento que orienta as disputas, idealizou o Congresso Técnico das quadrilhas, compôs a música oficial do Boa Vista Junina e assinou diversas canções apresentadas pelas agremiações ao longo dos anos. Também esteve à frente da criação da revista Anarriê, publicação voltada ao fortalecimento e registro da cultura junina em Roraima.
Ano passado, o reconhecimento ao trabalho desenvolvido ao longo de décadas ganhou um novo capítulo. O tablado principal do Concurso de Quadrilhas recebeu oficialmente o nome de Chiquinho Santos. A homenagem emocionou o apresentador, mas não alterou sua rotina durante a festa.
“Recebo essa homenagem com muita humildade. Acho até que existem outras pessoas que também mereciam esse reconhecimento. Mas, se decidiram me homenagear, recebo com gratidão e com a responsabilidade de continuar honrando essa história”, disse, naquela ocasião.
Mesmo após o reconhecimento, Chiquinho continua desempenhando o mesmo papel que o tornou uma referência no movimento junino. Antes das apresentações, acompanha os preparativos das quadrilhas. Durante os espetáculos, conduz o público pelas histórias contadas no tablado. Nos bastidores, conversa com dirigentes, marcadores, noivos e rainhas que cresceram ouvindo sua voz ecoar pela arena.
Muitos dos atuais quadrilheiros sequer haviam nascido quando ele começou sua trajetória no movimento junino. Ainda assim, o respeito permanece o mesmo.
Ao longo de 26 anos de arraial, Chiquinho acompanhou transformações importantes. Viu o crescimento das quadrilhas, a profissionalização dos grupos, a ampliação da estrutura do evento e a chegada de novas gerações ao movimento. Em todas essas fases, permaneceu ocupando o mesmo espaço: o centro do tablado.
Enquanto as quadrilhas disputam títulos e encantam o público com espetáculos cada vez mais grandiosos, Chiquinho Santos segue cumprindo uma missão que começou há quase três décadas: preservar, valorizar e dar voz à cultura junina de Roraima.
E, para muitos quadrilheiros, o Boa Vista Junina pode até mudar de cenário, crescer de tamanho e ganhar novos protagonistas, mas continuará tendo na voz de Chiquinho Santos uma de suas marcas mais reconhecidas.
🎶 Êêêêêêêêê… eu sou quadrilheiro e mando um beijo pra você! 🎶










