Pelo menos 15 profissionais que trabalhavam em escolas municipais de Alto Alegre, no interior de Roraima, foram demitidos, segundo relatos de trabalhadores. Os desligamentos atingiram assistentes de alunos, cuidadores e zeladores, que atuam diretamente na rotina das unidades de ensino. A situação provocou indignação entre os funcionários, principalmente porque as aulas da rede municipal estão previstas para terminar somente no dia 27 de novembro.
As escolas citadas pelos trabalhadores são a Escola Municipal Elda Farias Rodrigues e a Escola Municipal Alcimir de Melo Cavalcante, incluindo profissionais que atuavam na comunidade da Barata. Segundo os relatos, os funcionários ocupavam cargos comissionados e receberam a comunicação de desligamento por meio das direções das unidades.
Uma das trabalhadoras contou que foi informada de que não seria mais necessário comparecer ao serviço. Ela também relatou preocupação com a possibilidade de outros funcionários serem dispensados.
A justificativa apresentada aos trabalhadores seria a falta de recursos financeiros para manter a folha de pagamento. A explicação, no entanto, é questionada pelos profissionais, que cobram transparência sobre a situação financeira do município e os critérios utilizados para definir os desligamentos.
Representação cobra explicações e questiona momento das demissões
Em uma nota direcionada à Prefeitura de Alto Alegre, ao prefeito e à Secretaria Municipal de Educação, a representação dos trabalhadores manifestou indignação com as dispensas e pediu providências.
O documento questiona por que os desligamentos estão ocorrendo próximo ao encerramento do ano letivo e se houve planejamento por parte da administração municipal.
“É preocupante que profissionais que prestam serviços essenciais à educação sejam os primeiros a sofrer as consequências de uma suposta dificuldade financeira da administração municipal”, afirma o texto.
A representação também cobra esclarecimentos sobre a situação financeira do município e os critérios utilizados para escolher os servidores dispensados.
“Por que essas demissões estão acontecendo justamente no final do ano? Houve planejamento? A situação financeira do município está sendo devidamente administrada? Quais critérios estão sendo utilizados para escolher os servidores que serão desligados?”, questiona a nota.
Trabalhadores alertam para impactos nas escolas e nas famílias
Além da preocupação com a continuidade dos serviços nas unidades de ensino, os funcionários destacam os impactos financeiros das demissões para as famílias. Assistentes de alunos, cuidadores e zeladores desempenham atividades de apoio aos estudantes e à manutenção do ambiente escolar.
Na manifestação, os representantes ressaltam a importância desses profissionais e a dependência financeira das famílias em relação aos salários.
“Estamos falando de trabalhadores que possuem famílias, compromissos financeiros e que dependem desse salário para sobreviver. Além disso, esses profissionais são fundamentais para o funcionamento das escolas e para o atendimento dos alunos”, destaca o documento.
Ao final, a representação solicita que os órgãos competentes acompanhem a situação e verifiquem a legalidade dos desligamentos, além dos possíveis impactos para a educação municipal.
“Educação não é apenas uma folha de pagamento. É feita de pessoas, profissionais e famílias. Por trás de cada servidor existe uma história e uma família que não pode ser esquecida”, conclui a nota.
Outro lado
A reportagem procurou a Prefeitura de Alto Alegre para solicitar esclarecimentos sobre as demissões, a justificativa de falta de recursos financeiros e os critérios adotados para os desligamentos. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.










