O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta nesta quarta-feira (28), após chegar aos Estados Unidos com a família, na qual se declara o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. No documento, ele contesta o resultado das eleições presidenciais, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu mais de 64 milhões de votos, e acusa autoridades brasileiras de fraude eleitoral e perseguição política, sem apresentar provas que sustentem as alegações. Até o momento, o parlamentar não apresentou provas das acusações.
“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, escreveu o senador no início da carta, divulgada por aliados. Ele afirma que pretende continuar atuando politicamente a partir do exterior e liderar a oposição ao governo Lula. Ao longo do texto, também agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela acolhida.
Flávio chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das filhas. A aeronave particular que transportava a família pousou pouco antes das 10h30, no horário de Brasília, no Aeroporto Opa-Locka, em Miami, na Flórida.
Segundo informações da Direção Nacional de Migrações da Argentina, o senador e seus familiares cruzaram a fronteira brasileira na noite de terça-feira (27), às 22h50, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província argentina de Misiones. Cerca de 40 minutos depois, embarcaram em uma aeronave particular com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, seguiram para os Estados Unidos. De acordo com o site FlightAware, o último trecho do voo durou aproximadamente quatro horas.
Carta questiona resultado das urnas
No documento, Flávio afirma ter presenciado uma suposta fraude eleitoral no domingo (25), dia do segundo turno. Ele questiona a diferença de votos entre as etapas da eleição e atribui o resultado a decisões da Justiça Eleitoral. O senador também acusa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de permitir a extensão do horário de votação em razão de problemas no fornecimento de energia.
“São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin”, escreveu, ao citar as supostas irregularidades que, em sua avaliação, teriam comprometido o processo eleitoral. A carta, porém, não apresenta provas para sustentar as acusações.
Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos, vencendo Flávio por uma diferença superior a 4,4 milhões de votos, conforme os números mencionados no material sobre a eleição.
O senador também afirma que passou a ser alvo de perseguição política após questionar o resultado. No texto, acusa autoridades de tentar apreender seus passaportes e critica a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional”, escreveu. Em outro trecho, justifica a saída do Brasil dizendo: “Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”.
Flávio afirma ainda que não existe mandado de prisão contra ele e sustenta que não cometeu crime. Na carta, critica possíveis medidas judiciais, como apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar e condenação política, que classifica como parte de um roteiro de perseguição.
Viagem ocorreu após decisão de Moraes
A ida aos Estados Unidos ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. A medida foi adotada no âmbito de um inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam qualquer irregularidade.
Conforme as informações fornecidas, Flávio deixou o país sem cumprir o prazo estabelecido para a entrega dos documentos. Na segunda-feira (26), após ser intimado da decisão judicial, ele publicou um vídeo nas redes sociais no qual afirmou que não pretendia deixar o Brasil e que permaneceria no país para organizar a oposição ao governo Lula.
A determinação de Moraes ocorreu depois que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, declarou em uma transmissão nas redes sociais que Flávio deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição e liderar a oposição do exterior.
Senador diz que liderará oposição do exterior
Na carta, Flávio afirma que pretende continuar se dirigindo aos brasileiros nos próximos dias e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição por meios que classifica como pacíficos e legítimos.
Ele também faz um apelo a senadores, deputados e governadores aliados, dizendo que assumirá riscos que, segundo ele, outros parlamentares não poderiam correr. Ao mencionar o senador Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado, afirma que pretende falar aquilo que os aliados não teriam liberdade para dizer no Brasil.
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros”, escreveu no encerramento da mensagem. O senador afirma que a disputa política não terminou com a eleição e conclui que continuará atuando até que, em sua avaliação, o país volte a ser livre.
PL reconhece resultado das urnas
O Partido Liberal (PL), sigla de Flávio Bolsonaro, reconheceu na segunda-feira (26) o resultado da eleição presidencial, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em nota assinada pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, o partido afirmou que reconhece o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas defendeu que os questionamentos levantados sejam esclarecidos.
“Reconhecemos o resultado presidencial, proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas entendemos que os questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático”, diz o comunicado.
A posição contrasta com a de Flávio, que, após a confirmação do resultado no domingo (25), não reconheceu a vitória de Lula e afirmou que pediria a anulação da eleição. Na nota, o PL também declarou que continuará atuando na defesa da democracia e da liberdade e que acompanhará os fatos em busca de respostas, com respeito às instituições.










