Justiça bloqueia R$ 146 milhões de empresas acusadas de extrair, transportar e comercializar cassiterita e ouro da TIY
Área degradada pela mineração ilegal na Terra Indígena Yanomami - Foto: Agência Brasil

A Aliança em Defesa dos Territórios, formada por representantes dos povos Kayapó, Yanomami e Munduruku, denunciou ameaças de garimpeiros contra comunidades indígenas em Roraima, Pará e Mato Grosso após o primeiro turno das eleições de 2026. Segundo carta aberta divulgada na sexta-feira (9), as intimidações começaram a circular nas redes sociais no dia 5 de outubro, estimuladas pelos resultados eleitorais.

No documento, as lideranças manifestam preocupação com a possibilidade de novos ataques aos territórios indígenas e com a eleição de políticos favoráveis à exploração mineral nessas áreas. O grupo também faz um apelo para que a população, especialmente quem não votou no primeiro turno, participe da segunda etapa da disputa presidencial.

“Ter na liderança do país alguém abertamente contra as nossas vidas vai, sem dúvida, intensificar ataques que nunca deixamos de enfrentar”, afirma a carta.

A Aliança relaciona o temor de novas invasões ao avanço do garimpo ilegal durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo dados do MapBiomas citados no documento, a área de exploração mineral ilegal nas terras indígenas Kayapó, Munduruku e Yanomami cresceu mais de 128% entre 2018 e 2022.

As lideranças atribuem esse crescimento às declarações do então presidente e ao enfraquecimento das políticas de proteção ambiental. Também apontam consequências como desmatamento, contaminação dos rios, aumento dos casos de malária, violência contra mulheres indígenas e mortes de crianças por causas evitáveis.

“O garimpo rasgou milhares de hectares de floresta, envenenou rios e destruiu o sustento de milhares de famílias indígenas”, destaca o documento.

Crise na Terra Yanomami

A situação da Terra Indígena Yanomami, localizada entre Roraima e Amazonas, é apresentada na carta como um dos principais exemplos das consequências da exploração ilegal de ouro na Amazônia.

O documento relembra a crise humanitária que atingiu as comunidades, marcada pelo avanço de doenças, desnutrição e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

Na carta, as lideranças afirmam que a crise expôs ao mundo as consequências da atividade garimpeira, mas demonstram preocupação com o esquecimento da tragédia.

“Grande parte da sociedade, no Brasil e no exterior, ficou horrorizada ao ver as imagens das crianças vítimas dessa barbárie. No entanto, parece que, para muitos não indígenas, as tragédias humanas são facilmente esquecidas ou ignoradas”, diz o documento.

Preocupação com o próximo governo

A carta também manifesta preocupação com o posicionamento de governadores, senadores e deputados eleitos em outubro. Segundo a Aliança, parte desses políticos já declarou apoio à mineração em terras indígenas e a propostas contrárias aos direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988 e pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Embora não mencione nominalmente os candidatos que disputam o segundo turno presidencial, o documento afirma que o resultado da eleição terá consequências diretas para a proteção dos territórios e para as condições de vida das comunidades a partir de 2027.

As lideranças afirmam que continuarão resistindo às ameaças, independentemente do resultado eleitoral, mas reconhecem que a escolha do próximo presidente poderá ampliar as dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas.

Apelo aos eleitores

Na parte final, a Aliança dirige uma mensagem especialmente aos brasileiros que se solidarizam com a causa indígena, mas deixaram de votar no primeiro turno.

O grupo reconhece que a ausência pode ter diferentes motivos, desde dificuldades de deslocamento até o desânimo com a política, e pede que essas pessoas reconsiderem a decisão no segundo turno.

“Seja qual for a sua razão, pedimos que, neste segundo turno, você pense de novo. Porque para nós, povos Kayapó, Yanomami e Munduruku, abrir mão do direito de viver bem não é uma opção”, afirma a carta.

O documento termina com uma referência ao líder indígena Ailton Krenak e um alerta sobre as consequências da destruição ambiental para toda a sociedade.

“Afinal, se o céu desabar sobre as nossas cabeças, ninguém estará a salvo.”

>>>>>>> Para ler a carta completa, clique aqui. 

 

ReportagemRedação

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