Cinco homens foram indiciados por suspeita de participação em um esquema de empréstimos fraudulentos que teria causado prejuízo superior a R$ 2 milhões à Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo de Funcionários de Instituições Financeiras Públicas Federais (Cooperforte). A investigação foi concluída pela Polícia Civil de Roraima (PCRR) e encaminhada à Justiça nesta sexta-feira (21).

O inquérito, conduzido pelo 1º Distrito Policial de Boa Vista, identificou 42 operações consideradas suspeitas. Segundo a investigação, documentos de terceiros eram utilizados para contratar empréstimos, enquanto parte dos valores liberados era posteriormente transferida para contas indicadas pelos integrantes do grupo.

Os cinco investigados foram indiciados por estelionato e organização criminosa. Eles foram identificados pelas iniciais M.S.S., de 28 anos; G.M.F.F., de 29; W.S., de 26; J.S.B., de 30; e F.S.B., de 39 anos.

De acordo com a delegada Jéssica Muniz, titular do 1º DP e responsável pela investigação, a análise das operações permitiu identificar um padrão de atuação, a movimentação do dinheiro e as funções que teriam sido desempenhadas pelos investigados.

Empréstimos eram feitos em valores maiores

A investigação aponta que pessoas interessadas em conseguir empréstimos bancários, inclusive sem comprovação de renda, eram abordadas pelo grupo. Para realizar as operações, elas forneciam documentos pessoais, comprovantes de residência e fotografias, além de fazer reconhecimento facial por aplicativo.

Com essas informações, segundo a Polícia Civil, eram contratados empréstimos em valores superiores aos que haviam sido inicialmente informados aos titulares das contas.

Depois da liberação do dinheiro, essas pessoas ficavam com aproximadamente R$ 5 mil e eram orientadas a transferir o restante para contas bancárias indicadas pelos suspeitos.

A repetição desse procedimento levou os investigadores a identificar 42 associações e operações suspeitas, com empréstimos que posteriormente ficaram inadimplentes.

Investigação aponta divisão de tarefas

Conforme o inquérito, M.S.S. teria exercido papel central na operacionalização do esquema. Depoimentos apontaram que ele coletava documentos, orientava a abertura ou utilização de contas, acompanhava as operações e indicava as contas para as quais o dinheiro deveria ser transferido.

G.M.F.F. admitiu à polícia ter indicado M.S.S. a diferentes titulares de contas. Em depoimento, porém, afirmou acreditar que os valores movimentados tinham origem em atividades relacionadas ao garimpo.

F.S.B., segundo a investigação, atuaria na captação de pessoas e na intermediação para obtenção dos empréstimos. Ele teria acompanhado participantes até agências bancárias, recolhido documentos e orientado transferências depois que os recursos eram liberados.

J.S.B. aparece no inquérito como destinatário recorrente de valores. A polícia identificou uma conta em instituição financeira digital em nome dele que teria recebido recursos das operações. Testemunhas também relataram que ele participava da captação de pessoas e da coleta de documentos.

W.S., por sua vez, teria indicado familiares para auxiliar na captação de participantes e também aparece como titular de uma conta que recebeu valores transferidos após a contratação dos empréstimos.

Polícia aponta indícios de organização criminosa

Além das suspeitas de estelionato, a Polícia Civil afirma ter reunido elementos que indicam uma atuação organizada entre os cinco investigados.

A suspeita considera, entre outros fatores, a repetição do método utilizado nas operações, a participação de diferentes pessoas e a divisão de funções entre captação de interessados, contratação dos empréstimos, orientação das transferências e recebimento do dinheiro.

Com o encerramento da investigação policial, o inquérito foi encaminhado à 3ª Vara Criminal da Comarca de Boa Vista. O caso deverá passar agora pela análise do Ministério Público de Roraima (MPRR), responsável por avaliar as medidas cabíveis a partir das provas reunidas pela Polícia Civil.

FonteAscom/ PCRR

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