Sampaio e Flávio em foto amplamente divulgada pelo governador interino. Imagem: reprodução

O governador interino, Soldado Sampaio (Republicanos) foi a São Paulo no último fim de semana para participar da convenção nacional do Republicanos e voltou a Roraima carregando exatamente o material político que pretendia produzir, fotografias ao lado de Flávio Bolsonaro (PL).

As imagens foram divulgadas com destaque. Não apareceram como simples registro de uma agenda partidária. Foram usadas para aproximar Sampaio do presidenciável e apresentar ao eleitor roraimense uma relação política maior do que aquela que efetivamente existia.

A estratégia era bastante clara. Sampaio sabe que disputa uma eleição em um estado onde o bolsonarismo tem força eleitoral, capacidade de mobilização e influência sobre uma parcela expressiva da direita. Também sabe que Arthur Henrique (PL) e outras lideranças já disputam esse mesmo espaço com mais naturalidade, ligação partidária e histórico político. Por isso, precisava reduzir essa diferença.

As fotografias com Flávio Bolsonaro serviam para isso. Ao divulgá-las, Sampaio tentava alterar a percepção do eleitor. Queria deixar de ser visto apenas como candidato do Republicanos e passar a ser percebido também como integrante do campo bolsonarista. Não precisava dizer isso de maneira explícita. A imagem faz esse trabalho.

O eleitor olhava a fotografia, via Sampaio ao lado de Flávio e era conduzido a concluir que existia proximidade, confiança e algum tipo de compromisso político entre eles.

O problema é que o Republicanos voltou atrás e decidiu pela neutralidade na disputa presidencial. O partido que poderia dar sustentação institucional às imagens resolveu não apoiar oficialmente Flávio Bolsonaro. A aproximação que Sampaio tentou vender como parte de uma construção política nacional ficou reduzida a uma sequência de fotografias de convenção.

Isso não significa que ele esteja impedido de apoiar Flávio. Pode declarar voto, subir em palanque, gravar vídeo e pedir apoio. Mas terá de fazer isso por conta própria, sem apresentar a decisão como resultado de um alinhamento entre os partidos.

Aí que a estratégia começa a cobrar seu preço. Sampaio divulgou as imagens  e Apostou na associação, tentou colher o benefício eleitoral antecipadamente e agora terá de explicar por que seu partido preferiu não acompanhar o candidato com quem ele procurou aparecer tão alinhado.

Sampaio não divulgou fotografias para explicar autonomia de diretório. Divulgou para ser confundido com o bolsonarismo. Agora terá dificuldade para controlar a mesma percepção que tentou fabricar.

Se mantiver o apoio a Flávio, ficará evidente que age sem o respaldo formal do diretório nacional. Se reduzir a associação, confirmará que as imagens serviram apenas enquanto pareciam eleitoralmente convenientes. Se tentar tratar tudo como encontro protocolar, terá de explicar por que deu tanta publicidade a algo supostamente comum.

Sampaio tentou entrar na onda antes de saber se havia espaço para ele. O Republicanos recuou, e ele ficou exposto no movimento.Tentou  transformar uma fotografia em credencial política. Agora que a credencial não veio, resta à campanha decidir como explicar ao eleitor que a proximidade exibida nas redes não tinha a força que parecia ter.

ReportagemRubens Medeiros

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