Dr. Hiran (PP-RR). Foto: Agência Senado.

O senador Dr. Hiran (PP-RR) defendeu a oferta de consultas oftalmológicas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) como estratégia para ampliar o acesso da população ao atendimento especializado e prevenir doenças que podem levar à perda da visão.

A proposta foi apresentada durante debate realizado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado sobre medidas para enfrentar a cegueira evitável no Brasil. A audiência pública foi solicitada pelo parlamentar, que é médico oftalmologista.

Segundo Dr. Hiran, a presença de profissionais da área nas unidades de atenção básica permitiria identificar problemas oculares mais cedo e ampliar o atendimento em municípios e comunidades distantes dos grandes centros urbanos.

“A gente precisa colocar a oftalmologia nos núcleos de saúde da família. Eu não vejo razão para a oftalmologia estar na média e alta complexidade, quando a gente precisa dar acesso às pessoas nos rincões deste país, onde, às vezes, a gente não tem um hospital, mas a gente tem uma UBS”, afirmou.

O debate ocorre diante da projeção de crescimento dos casos de perda de visão no país. Estudo da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) estima que mais de 28 milhões de brasileiros poderão sofrer algum tipo de perda visual até 2030.

Durante a audiência, especialistas defenderam que a prevenção comece ainda na infância, com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado de doenças oculares.

Representante do Ministério da Saúde, Camila Carloni Gasparro destacou a importância do teste do olhinho, realizado nos primeiros dias de vida para identificar alterações que podem comprometer a visão das crianças.

“Nas maternidades hoje, um dos testes que é realizado é exatamente o teste do olhinho. É um exame feito no recém-nascido, nos primeiros dias de vida, com o intuito de fazer a detecção precoce e tratar, se for necessário, o mais rápido possível essas crianças”, explicou.

Desigualdade dificulta acesso ao atendimento

Outro problema apontado durante o debate foi a desigualdade no acesso aos serviços de saúde ocular, principalmente entre moradores de áreas rurais, comunidades indígenas e populações que vivem em regiões remotas.

Representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Victor Pavarino afirmou que milhões de pessoas ainda não conseguem acesso a procedimentos básicos capazes de prevenir ou corrigir problemas de visão.

Segundo ele, estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que duas em cada três pessoas que precisam de óculos em países de baixa renda não conseguem obtê-los. Além disso, metade das pessoas que necessitam de cirurgia de catarata no mundo não tem acesso ao procedimento.

O representante do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Mauro Goldbaum, também defendeu medidas para acelerar o diagnóstico e o tratamento de doenças como catarata e glaucoma, duas das principais causas de perda de visão.

Comunidades indígenas enfrentam dificuldades

As dificuldades enfrentadas pelas populações indígenas também foram discutidas na audiência.

O líder indígena Ewésh Yawalapiti Waura, da Terra Indígena do Xingu, relatou os obstáculos enfrentados por moradores de aldeias localizadas em áreas remotas para conseguir atendimento especializado e defendeu políticas públicas permanentes de saúde ocular.

O debate integra a preparação para a Cúpula da Saúde Ocular, prevista para novembro, em Antígua e Barbuda, no Caribe. O encontro internacional deverá discutir estratégias para ampliar o acesso aos cuidados oftalmológicos e combater a cegueira evitável.

ReportagemRedação

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