Um corredor logístico ligando Roraima à Guiana pode transformar o estado em uma nova porta de saída para exportações brasileiras, reduzindo significativamente o tempo de transporte de commodities até o Canal do Panamá. A avaliação é do professor José Vicente Caixeta Filho, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em artigo publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo o especialista, uma carga de soja que parte de Boa Vista leva atualmente cerca de 14 dias para alcançar o Canal do Panamá utilizando a rota tradicional por Manaus e pelo Rio Amazonas. Pelo novo corredor internacional, o mesmo percurso poderia ser realizado em aproximadamente cinco dias.
A redução no tempo de viagem representa ganhos diretos de competitividade para os produtores, com menor necessidade de capital imobilizado, maior previsibilidade logística e melhores condições para aproveitar oportunidades de mercado.
De acordo com o artigo, a rota convencional ultrapassa os 4 mil quilômetros, combinando trechos rodoviários, fluviais e marítimos. Já o corredor entre Boa Vista e Georgetown, capital da Guiana, possui cerca de 700 quilômetros por terra até o acesso ao Oceano Atlântico.
O trajeto parte da BR-401, em direção ao município de Bonfim, na fronteira entre Brasil e Guiana. A partir da ponte sobre o Rio Takutu, o transporte segue por Lethem e pela rodovia Linden-Georgetown até os portos guianenses.
Além de favorecer as exportações de soja e outras commodities, a nova rota também pode reduzir custos de importação de insumos utilizados no agronegócio, como fertilizantes e calcário.
O artigo destaca ainda o crescimento econômico acelerado da Guiana após a descoberta de grandes reservas de petróleo em 2015. Atualmente, o país possui Produto Interno Bruto (PIB) per capita estimado em cerca de US$ 30 mil, valor superior ao registrado no Brasil.
Para que o corredor alcance seu potencial, o especialista aponta a necessidade de investimentos em três áreas principais: conclusão da pavimentação e construção de pontes no lado guianense, ampliação da capacidade de armazenagem em Roraima e fortalecimento da estrutura aduaneira entre os dois países.
Segundo Caixeta Filho, a iniciativa vai além de uma obra de infraestrutura e representa uma decisão estratégica sobre a inserção do Brasil nas cadeias globais de comércio.










