Foto: Giovani Oliveira

O segundo dia de apresentações do Boa Vista Junina 2026 mostrou que o espetáculo do tablado vai muito além da competição. Na noite deste domingo (14), a Arena Junina reuniu diferentes gerações em torno da cultura popular, com apresentações que emocionaram o público e reforçaram o papel social do maior arraial da Amazônia.

Antes mesmo do início da disputa do Grupo Especial, quem roubou a cena foram os integrantes dos projetos sociais da Prefeitura de Boa Vista. As quadrilhas Cabelos de Prata e Castelo Junino transformaram o tablado Chiquinho Santos em um espaço de inclusão, afeto e celebração da vida.

Castelo Junino. Foto: Giovani Oliveira.

Amor que atravessa gerações

Representando os projetos sociais a se apresentar nesta edição do Boa Vista Junina, o Cabelos de Prata levou ao público o tema “Na Pista da Paixão e Valeu Boi”, inspirado no universo da vaquejada e nas tradições nordestinas.

Os 70 integrantes mostraram que idade e disposição caminham juntas quando o assunto é cultura popular.

Entre eles estavam os noivos da quadrilha, Ivone Pantaleão e Luiz Augusto, ambos com 72 anos. Casados na vida real, os dois levaram para o tablado uma história de amor que ultrapassa a encenação e emocionou quem acompanhava a apresentação.

“Se apresentar é incrível, pois eu amo o clima de São João. Fico tão feliz de estar aqui e mostrar um pouco do nosso amor que é renovado a cada ano. Principalmente quando entramos em sintonia como casal de noivos da quadrilha. Então, eu sou muito grato ao Cabelos de Prata por me proporcionar essa qualidade de vida”, contou Luiz.

Segundo a secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, Nathália Cortez, as apresentações representam o resultado de um trabalho realizado ao longo de todo o ano.

“No Boa Vista Junina, os projetos mostram para os familiares e o público o trabalho de meses, que gera inúmeros benefícios, como bem-estar e socialização. O Cabelos de Prata deu um show de vitalidade que causa reflexões sobre a importância da vida, além de nos dar lições de saúde e felicidade”, destacou.

Memórias que ficam para sempre

Da arquibancada, famílias inteiras acompanhavam cada passo dos quadrilheiros.

Foi o caso de Maria Sena, de 63 anos, integrante do Cabelos de Prata. Ela teve uma torcida especial durante a apresentação: o filho Matheus Sena, a nora Mariana Oliveira e a neta Laura.

“É muito lindo ver a minha mãe no palco. São memórias que a nossa família vai levar para a vida inteira. Além disso, vejo o quanto o projeto faz bem para ela. Convive com pessoas da mesma idade, faz amizades e se mantém ativa”, disse Matheus.

Grupo Especial abre disputa por vaga no Diamante

Após as apresentações dos projetos sociais, a Arena Junina recebeu as quadrilhas do Grupo Especial, que iniciaram a disputa por uma vaga no Grupo Diamante, nova categoria criada nesta edição do concurso.

Cinco agremiações passaram pelo tablado: Explosão Caipira, Furacão Caipira, Tradição Macuxi, Coração de Estudante e Escola Forrozão.

Para o presidente do concurso, Chiquinho Santos, o movimento quadrilheiro representa muito mais do que entretenimento.

“Valorizar o movimento quadrilheiro em Roraima é reconhecer a força da cultura popular, preservar tradições e fortalecer a identidade de um povo por meio da arte, da dança e da dedicação de milhares de apaixonados pelas festas juninas”, afirmou.

Fé, infância, ancestralidade e tradição no tablado

Cada quadrilha levou ao público uma mensagem diferente.

A Explosão Caipira abriu a competição com o tema “São João dos Desejos”, inspirado na história de amor entre Aladdin e Jasmine.

Explosão Caipira. Foto: Fernando Teixeira.

Na sequência, a Furacão Caipira apresentou “O Milagre do Livramento”, levando para a arena uma narrativa marcada pela fé e pela emoção.

Furacão Caipira. Foto: Fernando Teixeira.

A Tradição Macuxi emocionou o público ao abordar o combate ao trabalho infantil com o tema “Uma infância perdida nos canaviais da vida”.

Tradição Macuxi. Foto: Fernando Teixeira.

Representando o município de Iracema, a Coração de Estudante apresentou “O contador de histórias em: a outra face”, espetáculo que valorizou a identidade negra, a ancestralidade e a resistência afro-brasileira.

Coração de Estudante. Foto: Fernando Teixeira.

“Falar do povo negro no tablado é falar da minha história e da história de milhões de brasileiros. Foi um tema pensado com muito cuidado e trabalhado com dedicação por todos os quadrilheiros”, destacou Adriana Alves, noiva da agremiação.

Escola Forrozão. Foto: Fernando Teixeira.

Encerrando a programação da noite, a Escola Forrozão levou ao público o tema “Sertão, onde o tempo não apaga a tradição”, celebrando as raízes nordestinas e a preservação dos costumes transmitidos entre gerações.

Público se encanta com os espetáculos

Enquanto os grupos se apresentavam, a arquibancada acompanhava atentamente cada detalhe dos figurinos, cenários e coreografias.

A venezuelana Lelimar Hernandez assistiu às apresentações ao lado da família e saiu encantada com o que viu.

“Tem sido uma linda experiência. O Boa Vista Junina é espetacular. É tudo muito bonito. Assisti às apresentações da arquibancada e são encantadoras. É uma apresentação melhor que a outra”, afirmou.

Com histórias de amor, superação, fé, ancestralidade e pertencimento, a segunda noite do Boa Vista Junina mostrou que a força das quadrilhas vai além da disputa por títulos. No tablado, cada apresentação contou uma história diferente, mas todas tinham algo em comum: a celebração da cultura popular que faz do arraial uma das maiores expressões culturais da Amazônia.

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