Foto: Welika Matos.

Quando as luzes do tablado se acendem e as quadrilhas entram em cena, o público vê apenas a parte mais visível do Boa Vista Junina. Por trás do espetáculo que reúne milhares de pessoas na Praça Fábio Marques Paracat existe uma engrenagem econômica que movimenta diversos setores da capital e alcança trabalhadores que muitas vezes passam despercebidos.

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Costureiras, artesãos e vendedores ambulantes são tradicionalmente lembrados como beneficiários da festa. Mas os efeitos do Maior Arraial da Amazônia se espalham por hotéis, restaurantes, aplicativos de transporte, taxistas, salões de beleza, gráficas, empresas de sonorização, montadores de estruturas, fornecedores de alimentos e até postos de combustíveis.

A expectativa para a edição de 2026 é repetir o impacto econômico registrado nos últimos anos. Em 2025, a Prefeitura de Boa Vista estimou a geração de mais de 1,5 mil empregos diretos e cerca de 5 mil indiretos durante o período do evento, além da ocupação de mais de 180 espaços comerciais dentro da arena junina.

A movimentação começa muito antes da abertura oficial. Meses antes do evento, quadrilhas iniciam a produção de figurinos, alegorias e adereços. São centenas de costureiras, bordadeiras, sapateiros, marceneiros, soldadores e artistas envolvidos na preparação dos espetáculos.

Mas o impacto não para dentro dos galpões. Com a chegada de visitantes de municípios do interior, da Venezuela e de estados vizinhos, especialmente do Amazonas, cresce a procura por hospedagem, alimentação e transporte.

Hotéis registram aumento na ocupação, restaurantes ampliam equipes temporárias e motoristas de aplicativo relatam crescimento na demanda durante as noites de apresentação. O mesmo ocorre com taxistas, que aproveitam o fluxo intenso de pessoas entre bairros, aeroportos e a praça de eventos.

Economistas avaliam que festas populares consolidadas costumam ter um efeito multiplicador na economia local porque distribuem renda entre diferentes segmentos. O dinheiro gasto por um visitante em hospedagem, por exemplo, gera consumo em restaurantes, que compram de fornecedores, que por sua vez contratam serviços e trabalhadores.

Esse comportamento é observado em grandes festas juninas pelo país. O Ministério do Turismo aponta que os festejos de São João são importantes indutores do turismo doméstico e da geração de emprego e renda, fortalecendo atividades ligadas ao comércio, alimentação, hotelaria e transporte.

Em Boa Vista, o efeito é potencializado pelo porte do evento. A estimativa divulgada da última edição apontou público superior a 300 mil pessoas ao longo da programação, colocando o Boa Vista Junina entre os maiores eventos culturais da Região Norte.

Além do impacto financeiro imediato, empresários destacam outro benefício: a visibilidade. Muitos empreendedores aproveitam o arraial para apresentar produtos a novos clientes, ampliar redes de contato e fortalecer marcas locais.

Enquanto o público acompanha as apresentações das quadrilhas e os shows nacionais, uma segunda festa acontece longe dos refletores. É a economia girando em diversos pontos da cidade, impulsionada por um evento que, há mais de duas décadas, se consolidou não apenas como patrimônio cultural, mas também como um dos principais motores de geração de renda em Boa Vista.

ReportagemRedação

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