O prefeito de Alto Alegre, Wagner de Oliveira Nunes (Republicanos), e o vice-prefeito, Diogo Araújo Coelho, tiveram os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral nesta sexta-feira (12). A decisão é do juiz Guilherme Versiani Gusmão Fonseca, da 3ª Zona Eleitoral, que também declarou o prefeito inelegível por oito anos e aplicou multa de R$ 53.205.
A sentença aponta a prática de abuso de poder econômico e político durante as eleições municipais de 2024. Entre os fatos considerados pelo magistrado estão um suposto esquema de compra de votos, a execução de obras de asfaltamento sem licitação às vésperas da eleição e contratações de pessoal consideradas irregulares.
Segundo a decisão, um funcionário de confiança do prefeito foi preso em flagrante com R$ 10 mil em espécie e um caderno contendo nomes de 26 eleitores. Ao lado de cada nome havia registros de pagamentos de R$ 500 e anotações indicando que os valores teriam sido entregues.
O juiz também considerou irregular a realização de obras de asfaltamento em Alto Alegre e em vilas próximas sem os procedimentos licitatórios habituais. Para a Justiça Eleitoral, as intervenções tiveram potencial de influenciar o eleitorado durante o período de campanha.
Outro ponto destacado na sentença envolve a contratação de uma empresa terceirizada após a demissão de cerca de 570 servidores temporários no início da gestão. Conforme o processo, o contrato firmado ultrapassou R$ 48 milhões e teve redução de aproximadamente 80% após o término das eleições, circunstância que foi considerada relevante para a caracterização do abuso de poder político.
A ação foi ajuizada pelo Partido Progressistas (PP) em dezembro de 2024 e contou com elementos obtidos em investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Voto Limpo, que apurou suspeitas de compra de votos no município.
Com a decisão, Wagner Nunes e Diogo Araújo Coelho perdem os mandatos. No entanto, ambos ainda podem recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral de Roraima e às instâncias superiores para tentar reverter a condenação.
A reportagem tenta contato com a defesa. O espaço fica aberto por meio do [email protected] ou (95) 98120-2121.










