O episódio político protagonizado pelo governador Antonio Denarium (PP) no último fim de semana em Caracaraí escancarou não apenas uma tensão momentânea entre aliados, mas foi lido como um impulso claro e calculado do chefe do Executivo estadual em encerrar espaços de poder e a saída de Mecias de Jesus (Republicanos) do grupo governista em Roraima, e o faz com intenção estratégica e imediata.
Ao desafiar publicamente Mecias, questionando-o sobre sua disputa eleitoral para 2026 e condicionando-lhe a renúncia imediata à vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR) que lhe foi oferecida, Denarium deixou claro que não se trata de um desentendimento passageiro, mas de uma movimentação política, quase como uma exigência, para limpar o tabuleiro de peças incômodas antes da guerra eleitoral que se anuncia.
Mecias reagiu com notado desconforto, frisando que ainda tem prazo até meados de março para decidir sobre a posse no TCE-RR, mas a postura de Denarium foi firme, e não por acaso. O governador sabe que qualquer rival com espaço institucional, prestígio político e visibilidade pode se tornar adversário nas urnas. Ao forçar Mecias a sair de cena, Denarium tenta fechar fileiras em torno de seu projeto político para 2026, consolidando uma base mais coesa e sem ambiguidades sobre “quem está com ele” ou “quem está contra ele”.
Este embate ocorre em um contexto mais amplo de instabilidade política: o governador enfrenta, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um processo que poderá cassar seu mandato, algo que pode acontecer ainda em março, com consequências profundas para o cenário político local, e Mecias quer diretamente fazer parte disso.
Para Denarium, portanto, empurrar Mecias para fora do governo ou de qualquer possibilidade de influência é mais do que uma disputa de egos: é uma jogada para não dar margem a focos de oposição dentro do próprio campo político que o apoia. Esse movimento indica que o governador não está apenas preocupado com a eleição de 2026, mas com a defesa do que restar de sua base política diante de desafios jurídicos e eleitorais que podem sacudir o Estado nos próximos meses.
A população de Roraima merece saber até que ponto essas disputas internas interferem, ou podem interferir, na gestão pública e na atenção aos problemas concretos do Estado: educação, saúde, segurança e desenvolvimento socioeconômico. Em um cenário político cada vez mais volátil, o rompimento de Denarium com Mecias não foi encenado: é um sinal claro de que a luta pelo poder em Roraima começou muito antes do previsto, dentro e fora dos gabinetes.
Após o referido episódio, os dois escolheram trilhas opostas. Antonio Denarium foi às redes sociais e a uma emissora de rádio reforçar que a cobrança pública ao senador era legítima e necessária, dobrando a aposta no discurso de autoridade e coerência política. Já Mecias de Jesus optou pelo silêncio: não respondeu publicamente no mesmo tom e, sintomaticamente, não publicou sequer uma foto ao lado do governador depois do constrangimento.







